Nove é o número para quem ingere 2 mil calorias todo dia. Dependendo da necessidade calórica indicada para determinado peso e altura, o número ideal de porções de vegetais pode chegar a 13! Cada uma das nove porções diárias deve equivaler a meia xícara de chá fruta, verdura ou legume escolhido. Vale comer cru ou cozido. Suco? O ideal é que seja natural, feito na hora. E muita atenção: os cereais são vegetais, mas não entram na contabilidade das porções – Desde os anos 1980, o governo dos Estados Unidos publica uma espécie de guia para uma vida mais saudável. Que inclui dieta, é claro. O documento, revisto e atualizado a cada cinco anos por um comitê de experts, traz recomendações alimentares baseadas em trabalhos científicos – no Brasil, o Ministério da Saúde está elaborando algo similar. Em sua sexta edição, publicada em janeiro, as novas diretrizes dão ênfase especial ao controle do peso.
Pudera. A terra do Tio Sam – o mundo inteiro sabe – vive uma verdadeira epidemia de obesidade. Para piorar, os americanos torcem o nariz para os alimentos do reino vegetal. Mesmo assim (ou talvez por isso), os autores do documento insistiram em dobrar a quantidade de frutas, verduras e legumes recomendados para um cardápio mais magro e mais saudável- no lugar de cinco, agora são nove as porções exigidas para uma dieta de 2 mil calorias. Para você soa como algo exagerado? Pois saiba que os responsáveis pelas novas indicações argumentam, com base em pesquisas e mais pesquisas, que o maior consumo desses alimentos está associado a um menor risco de derrame, tumores e diabete tipo 2. Sem contar outro benefício indiscutível: dá para perder os quilos extras. Para sempre. Se na pátria da fast-food comer tantos vegetais por dia pode parecer uma missão impossível, no país do arroz com feijão a coisa não é diferente. Brasileiro também passa longe de um bom prato de salada.
A última Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulga da no final do ano a passado, confirmou uma antiga suspeita: a de que ingerimos maior quantidade de alimentos com alto teor de açúcar do que frutas e hortaliças. “O consumo de vegetais em todos os estados brasileiros é baixíssimo e não chegamos nem à quarta parte do que necessitaríamos”, lamenta o pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ele sabe do que está falando. Ao lado do pediatra Jamal Wheba, também da Unifesp, e da nutricionista Silvia Cozzolino, da Universidade de São Paulo (USP), Fisberg coordenou um estudo sobre os hábitos alimentares nacionais que resultou no livro Um, Dois, Feijão com Arroz. “A ingestão de vegetais é pequena mesmo em regiões riquíssimas em frutas, como o Norte e Nordeste”, diz o especialista. Outra pesquisa, conduzida na Faculdade de Saúde Pública da USP, só vem confirmar essa triste constatação. O trabalho avaliou o consumo de vegetais entre 3 854 indivíduos adultos de algumas cidades paulistas. Os resultados mostram o quanto nossa dieta anda pobre: nada menos do que 50% dos entrevistados admitiram não consumir nem sequer uma única porção de frutas e só uma porção e meia de verduras e legumes por dia. “Infelizmente, acontece em todas as classes sociais”, lamenta a nutricionista Regina Fisberg, autora do estudo. “Também verificamos que, quanto mais baixo é o nível de escolaridade, menor é a ingestão de vegetais.
Esse texto é apenas para fins informativos. Para orientação ou diagnóstico, consulte um profissional.
