Para uma situação concreta, devendo ser curta, urgente e incisiva, porém sempre em caráter sugestivo e não ditatorial. Friedrich Schneider observa que na Alemanha se exagerou a educação dentro da obediência cega. Existem valores mais elevados que a obediência cega. A educação pelo amor, por exemplo, é mais essencial.
A ordem não passa de um meio. A obediência às ordens não é uma atitude absoluta, mas apenas relativa. Se a finalidade da educação é a emancipação do jovem, a ordem, por ser apenas um meio de educação, só se justifica na medida em que a imaturidade da consciência infantil e juvenil não permite chegar à decisão responsável e acertada. O educador funciona, portanto, como representante da consciência do educando, até que este chegue a afirmar por si sua ligação com Deus, com os valores e as necessidades sociais.
Toda a educação deve levar à auto-educação. Daí se infere que as ordens precisam ir desaparecendo no decorrer da educação, cedendo sempre mais à livre auto-determinação do educando. O mandar constitui um valioso meio educativo, mas um meio cuja importância decresce na proporção do aumento da maturidade e auto-condução do educando. No entanto, a ordem e a obediência sempre têm um lugar importante na pedagogia até que o educando chegue à sua maior idade e independência. Nada pior a um jovem do que crescer sem normas. As principais condições pedagógicas do emprego das ordens são: 1) Só mandar o estritamente necessário. Manda-se pouco, mas esse pouco exige-se.
A ordem do educador deve representar apenas a consciência da criança. Quanto mais esta se desenvolve e se torna capaz de agir por si mesma, tanto mais deve cessar a direção exterior. Henz diz:
1) “Devemos sempre ter em mira: levar a criança à auto-condução prestando-lhe a ajuda indispensável, pois quem não sabe governar-se fica sendo sempre um escravo”.
2) Não dar ordem em estado de exaltação. O educador deve estar tranqüilo, afável e firme ao mesmo tempo. A criança sente-se grata pela condução segura e ao educador não precisa estar sempre a admoestar, repetir e irritar-se.
3) Só dar ordens refletidas e claras. Se uma ordem tiver de ser revogada ou desviar-se de uma norma geral, urge primeiramente chamar a atenção para esse desvio, a seguir justificá-lo, e, só então, dar a nova ordem. Assim a criança manterá a confiança na direção do educador.
4) Prescindir sempre mais do louvor. Uma palavra de louvor é necessária no começo, principalmente nas ordens difíceis de cumprir. Aos poucos, porém, é preciso acostumar o educando a cumprir as tarefas por dever, com vistas à formação do seu caráter.
5) Pensar bem antes de dar as ordens, mantendo-as depois. Não há nada que perturbe tanto a confiança do educando como as inconseqüências e leviandades do educador.
6) Ensinar aos jovens a crescer e a governar-se. Despertar neles criatividade e responsabilidade. Para tornar mais fácil a obediência, fazer com que eles se coloquem em lugar dos pais para ver como se comportariam. a finalidade de todas as ordens ou incumbências é a auto-realização do educando. Em resumo, “o critério definitivo das ordens é apenas o desenvolvimento da liberdade, do autodomínio e da moralidade do jovem”. A moralidade no educando não significa outra coisa senão construí-la de tal forma a despertar nele o sentido da vida. ” O SENTIDO DA VIDA É A PRIMEIRA META DO HOMEM”.
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