A dez últimas vezes em que me sentei na cadeira do cabeleireiro escutei o mesmo discurso: “Seus fios estão tão secos e quebrados … Por que você não faz uma queratinização?” Antes mesmo de eu abrir a boca para perguntar o significado dessa palavra estranha, ouvia o aviso: “Mas você vai precisar de pelo menos três sessões para sentir alguma melhora.” Chiii… A prinápio nem dei muita bola um tratamento que precisa de três sessões para eu enxergar resultado e que não sai barato! Logo descobri – eu, você, todo mundo – que a queratinização é uma espécie de solução do momento nos salões e na mídia. Até por obrigação profissional – por vaidade também, confesso! -, comecei a prestar atenção nas conversas quando ela era o assunto. E li tudo o que caía nas minhas mãos sobre o seu processo químico. Algumas informações eram desencontradas. Uns diziam que essa saída só era indicada para quem já tinha passado por outros tratamentos químicos, como a tintura.
Outros eram categóricos e assustadores: alertavam que a tal queratinização seria capaz de arrasar os fios. Fiquei cheia de dúvidas: em quem acreditar? Que tipo de cabelo poderia se beneficiar com a queratinização? Se eu me submetesse, poderia ficar careca? Até isso imaginei! Minha cabeleira realmente andava bem maltratada. Já tinha recebido uma boa dose de química nas inúmeras vezes em que fiz luzes e era diariamente agredida pelo secador. Para acabar com as minhas dúvidas e as de todos os leitores, fiz como é de costume na SAÚDE!: entrei de cabeça nessa história.
No caso, ao pé da letra. Arranquei alguns fios e procurei um estudioso, o tricologista Valcinir Bedin, de São Paulo. O tricologista é um especialista em cabelos e como tal ele colocou os meus sob as lentes do microscópio em seu consultório. De lá fui ao salão Jacques Janine e pedi pelo tratamento. No dia seguinte, depois de lavar a cabeça, entreguei mais amostras de tufos ao médico. Imagine uma rua toda esburacada. É assim que os cabelos ficam com a ação do tempo. Graças aos tratamentos químicos e à escovação, entre outros agressores, as escamas se abrem.
Daí por diante é uma destruição sem fim. A queratina, substância que forma os fios, se desgasta deixando a superncie irregular. Isso, além de provocar perda de maciez, afeta o brilho, já que tanta irregularidade faz a luz ser refletida de um jeito diferente – e nem tão bonito. “A queratinização funciona como um tapa-buraco”, descreve Valcinir Bedin. “Com ela, o fio fica mais grosso, mais pesado e maleável”, acrescenta. “Mas aviso que o efeito dura só o período entre umas seis lavadas.” Não adianta esticar o intervalo entre um xampu e outro achando que assim irá prolongar a magia.
A queratina implantada também se desgasta. Falta ainda desembaraçar a questão sobre a necessidade de três sessões no mínimo. Uma polêmica que pode dar um nó na cabeça. O cabeleireiro Manoel Aragão, que fez o meu tratamento, ameaça: se não repeti-lo umas duas vezes, o resultado não será lá aquelas coisas. Valcinir Bedin discorda: “Com uma única aplicação o resultado já é visível”. Em um ponto os especialistas em cabelos são unânimes: antes de submeter seus fios, como eu fiz, verifique se o profissional passou por um treinamento, conhecendo cada detalhe do processo, e se usa um bom produto. O que eu achei da queratinização? Conto já: tive medo do que veria no espelho depois da primeira lavagem, que leva embora aquele visual da chapinha. Mas, para meu alívio, notei que os fios estavam bem macios. E o volume, que parecia indomável, tinha diminuído.
Esse texto é apenas para fins informativos. Para orientação ou diagnóstico, consulte um profissional.