Desça do salto! Isso mesmo: ou você vai acabar ganhando um joanete. A famosa (e antiestética) saliência óssea pode ser provocada por sapatos inadequados. Dá para imaginar o que seria de modelos deslumbrantes se dependessem dos pés para fazer sucesso? Sempre equilibradas em saltos altíssimos, elas são as candidatas ideais a adquirir um joanete. Que o diga Naomi Campbell, célebre até entre os ortopedistas pela deformação que pode deixar os pés com jeito de garra. Não se trata de um mero problema estético. O desconforto e as dores são intensos.
É o preço que se paga pela elegância. Ou pela civilização: povos primitivos que desconheceram os calçados não sofriam desse mal. Excluindo se a infeliz parcela que herda a tendência familiar ao joanete, é o uso de sapatos inadequados que deforma os ossos. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo, conduzido pela ortopedista Cibele Réssío, aponta que um salto de 3 centímetros já basta para forçar todo o peso do corpo na parte da frente do pé. Pior se o bico for fino. Sobrecarregado, o dedão não agüenta. O joanete pode, então, aparecer: os ligamentos se afrouxam, o tendão sai do lugar e empurra o dedo para o lado, deixando-o sobreposto ao vizinho. É o que os médicos chamam de hálux valgo.
Operar é a saída Sem tratamento, tudo isso pode até evoluir para uma artrose, um doloroso desgaste nas articulações. Dá para aliviar o tormento descendo dos saltos ou alternando o uso com sapatos baixos e de bico largo. Mesmo assim, a partir de certo ponto a tendência é piorar. Só o bisturi é capaz de colocar tendão na posição normal. “A cirurgia não é feita apenas com finalidade estética”, frisa o ortopedista Lafayette Lage, de São Paulo. No entanto, ela pode ser válida mesmo que o joanete não incomode. Há cerca de – pasme!- 150 tipos de procedimentos cirúrgicos, todos mais simples e com recuperação menos dolorosa do que os usados anos atrás. “O fundamental mesmo é mudar os hábitos e usar sapatos confortáveis”, resume Caío Nery, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé. E, claro, deve se procurar um bom especialista ao menor sinal de saliência óssea.
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