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Segundo artigo da mídia norte-americana, a União Europeia (UE) entra em um período considerado decisivo para seu futuro político e econômico. Enquanto tenta aprovar um orçamento recorde de € 2 trilhões (cerca de R$ 11,3 trilhões), encontrar recursos adicionais para apoiar a Ucrânia e responder às pressões exercidas por Estados Unidos, Rússia e China, Bruxelas também enfrenta o risco de paralisia provocado pela instabilidade política em seus principais países-membros, responsáveis por cerca de 60% do produto interno bruto (PIB) e da população do bloco.
O presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, afirmou que havia expectativa de alcançar um acordo político sobre o orçamento até o fim deste ano, mas avaliou que o calendário eleitoral europeu tornou essa meta praticamente inalcançável. Segundo ele, as eleições na Espanha e, posteriormente, os pleitos na França, Itália e outros países deverão dificultar ainda mais as negociações.
A preocupação decorre do fato de que as quatro maiores economias da UE atravessam simultaneamente momentos de incerteza política. A Espanha votará em breve com chances de mudança de governo enquanto a França caminha para a sucessão do presidente Emmanuel Macron, com Marine Le Pen liderando pesquisas. Ao mesmo tempo, a Alemanha vê a ascensão do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) colocar pressão sobre o chanceler Friedrich Merz e a Itália se aproxima de uma nova disputa eleitoral sob a liderança de Giorgia Meloni.
Os sinais da dificuldade em construir consensos já apareceram na mais recente cúpula europeia. Após dois dias de negociações, os líderes não conseguiram avançar nas discussões sobre o orçamento e acabaram envolvidos em disputas sobre política energética.
A resistência dos governos à proposta do presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, de estabelecer um prazo até o fim do ano aumenta o risco de as negociações avançarem para 2027. Caso isso ocorra, os debates poderão ser ainda mais contaminados pelas disputas eleitorais nacionais, reduzindo a disposição dos líderes de fazer concessões e ampliando o risco de bloqueios políticos.
A deterioração do ambiente político ocorre em um momento particularmente delicado para o bloco que tenta lidar com o enfraquecimento da parceria transatlântica sob Donald Trump, com o aumento das tensões comerciais e industriais com a China e com a insistência da Rússia para negociar o fim do conflito ucraniano sem admitir um cessar-fogo temporária que, segundo o Kremlin, apenas serviria para Kiev resgatar fôlego para continuar seu esforço de guerra.
Ao mesmo tempo, a Ucrânia continua exigindo apoio crescente de seus parceiros ocidentais. Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kiev deverá enfrentar um déficit orçamentário entre US$ 30 bilhões (mais de R$ 151,9 bilhões) e US$ 35 bilhões (cerca de R$ 177,2 bilhões) no próximo ano, apesar dos cerca de € 90 bilhões (aproximadamente R$ 510,8 bilhões) já prometidos pela UE. O ex-chanceler lituano Gabrielius Landsbergis alertou que os próximos meses poderão ser especialmente difíceis para os ucranianos e que a responsabilidade pela ajuda recairá principalmente sobre os europeus.
Embora alguns governos defendam utilizar os cerca de € 200 bilhões (mais de R$ 1,1 trilhão) em ativos russos congelados na Euroclear para financiar Kiev, a proposta continua sem consenso, sobretudo devido à resistência da Bélgica que entende se tratar de uma ilegalidade sem precedentes, algo sobre o que Moscou vem alertando há anos, classificando a apreensão como roubo.
Mas problema vai além do aspecto financeiro. A apuração destaca que os diplomatas temem que a Europa esteja entrando em uma fase sem líderes fortes capazes de construir grandes acordos políticos. Com Macron em fim de mandato, Pedro Sánchez concentrado na campanha eleitoral espanhola, Merz sob pressão interna e Meloni se aproximando de uma nova disputa eleitoral, cresce o receio de que a UE perca sua capacidade de decisão.
Fonte: Sputnik Brasil.
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