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A pressão política sobre o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz ameaça dificultar um acordo sobre o próximo Orçamento Plurianual da União Europeia (UE), estimado em cerca de € 2 trilhões (cerca de R$ 11,31 trilhões). Os dois líderes chegam à cúpula da UE, em Bruxelas, sob forte desgaste interno e com posições divergentes sobre o tamanho do orçamento do bloco.
Há meses, a Alemanha lidera países que defendem contenção de gastos, enquanto a França resiste a cortes mais profundos. Segundo autoridades europeias, um entendimento entre Paris e Berlim é visto como condição essencial para destravar as negociações entre os 27 Estados-membros.
O eurodeputado Siegfried Muresan, um dos responsáveis pelos trabalhos do Parlamento Europeu sobre o orçamento, afirmou que os atrasos e as divisões entre os governos nacionais são preocupantes. Para ele, apenas um compromisso entre as partes permitirá ao bloco financiar prioridades como competitividade, pesquisa, agricultura, segurança e proteção de fronteiras.
Apesar da importância de um eventual alinhamento franco-alemão, diplomatas europeus reduziram as expectativas para a cúpula desta semana. Embora Macron e Merz possam se reunir à margem do encontro, não há expectativa de avanços significativos, segundo fontes ouvidas pela mídia norte-americana.
A líder da direita francesa Marine Le Pen, uma das fortes candidatas para o próximo pleito, chegou a acusar os negociadores de tentarem acelerar o acordo para limitar futuras decisões eleitorais e defendeu que não sejam firmados compromissos relevantes antes das próximas eleições na França e em outros países importantes da UE.
Por sua vez, Merz também enfrenta restrições políticas após resultados eleitorais negativos e o avanço do partido rival, Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão). O chanceler tem evitado medidas que possam ser interpretadas como aumento das contribuições alemãs para Bruxelas. Segundo a reportagem, Berlim prefere adiar um acordo a apoiar um orçamento maior.
Nos bastidores, porém, autoridades indicam que as posições dos dois países podem não estar tão distantes quanto sugerem os discursos públicos, enquanto observadores internacionais duvidam. A França defende ampliar receitas por meio de novos tributos europeus, enquanto a Alemanha admite discutir novas fontes de arrecadação, embora demonstre ceticismo sobre seu potencial de financiamento.
A mídia norte-americana também relata que Paris aposta que Merz acabará cedendo à pressão de parceiros europeus e do setor industrial alemão por um orçamento mais ambicioso. Apesar de demonstrarem unidade recentemente em temas como a relação com a China, França e Alemanha ainda não conseguiram concluir outros acordos relevantes, incluindo negociações sobre política industrial e metas para o setor automotivo.
Fonte: Sputnik Brasil.
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