Quando se envelhece, mesmo que tudo corra bem, o corpo sofre alterações: a visão piora, a audição fica preguiçosa, alguns movimentos se torna m dolorosos, o sono é menos profundo…
De acordo com o temperamento individual, cada pessoa aceita essas e outras contingências de um modo melhor ou pior. Mas quando o problema se torna mais grave, o médico deve ser imediatamente consultado.
As queixas mais comuns dizem respeito a reumatismo, visão, digestão difícil, problemas de próstata, distúrbios da menopausa, entre outras pequenas mazelas. Na consulta, o médico perguntará que remédios foram receitados por outros especialistas, a fim de evitar as interações perigosas. Mas será que o idoso se lembra de, nesse momento, revelar que tomou aspirina, que durante o inverno não dispensa o xaropezinho contra tosse, que usa tisanas laxativas, que combate o excesso de peso com remédios? Provavelmente, não. Afinal de contas, para ele, nem são verdadeiramente medicamentos, no entanto, essas informações são vitais já que, por exemplo, a aspirina é responsável, em alguns casos, por hemorragias e anemia, seguindo-se a eventuais tratamentos antiinflamatórios para reumatismo. Do mesmo modo, aquele comprimido hipnótico, ingerido para se conseguir um sono de bebê, pode provocar hipotensão ortostática quando o idoso se levanta abruptamente. O risco da queda de pressão também é real com diversos outros produtos: anti-histamínicos, tranqüilizantes, anti-hipertensivos e diuréticos. As fraturas do colo do fêmur não se devem exclusivamente à osteoporose, mas também, e com freqüência, àquele desequilíbrio. Portanto, é aconselhável que o idoso leve pronto, quando for se consultar, um pequeno histórico de sintomas e medicamentos usados. Uma precaução que deve ser tomada por terceiros no caso do idoso com deficiência de memória.
Outro problema que toma difícil a atuação do médico é o fato de o idoso que sofre de doenças múltiplas achar ser possível curá-las todas de uma vez. Ele esquece que envelhecer é normal e que não existem tratamentos milagrosos contra alguns efeitos da idade. A verdade é uma só: o médico só pode atenuar ou corrigir com a devida prudência algumas patologias. Em determinados casos, até a supressão do medicamento é o melhor tratamento. Por esse motivo, a escuta e a confiança mútuas são importantes.
Portanto, para você, idoso, que quer ajudar o médico a gerenciar melhor a sua saúde, leve em consideração o seguinte:
1. A medicina não pode tratar de tudo.
Aceite a escolha de seu médico: ele sabe o que é importante tratar e o que pode ser deixado de lado, temporariamente ou não.
2. Use de total franqueza.
Fale com seu médico a respeito de qualquer substância medicamentosa que você utiliza por via interna ou externa. Não omita xaropes, pomadas, colírios, fortificantes, aspirinas e mesmo óleos essenciais. Sempre há possibilidade de interação medicamentosa.
3. Atenção às doses.
Não pense que o excesso de medicamentos ou doses mais fortes de remédios trarão efeito melhor. Ao contrário. Quando a idade aumenta, a posologia diminui. Respeite escrupulosamente a duração do tratamento receitado.
4. Beba bastante.
As pessoas idosas desidratam com facilidade, já que sentem menos sede. Dois litros de líquido por dia (e mais até, nos períodos de calor) são essenciais para assegurar o bom funcionamento dos rins, evitando os riscos de cálculos. Também ajudam no combate à prisão de ventre.
5. Tente usar os medicamentos da forma que lhe for mais conveniente.
Nada de gotas, se suas mãos tremem ou se sua vista já não é boa. Nada de comprimidos muito grandes, se tem dificuldades de deglutição. O médico pode sempre adaptar os medicamentos às condições do paciente.
6. Atenção à alimentação.
É melhor se alimentar corretamente do que compensar através de medicamentos ou suplementos nutricionais. Mesmo se tiver pouco apetite, consuma regularmente proteínas (carne branca, peixe e ovos), cálcio (queijo e laticínios) e fibras (frutas e legumes). Não os substitua por doces e bolos.
7. Primeira vez.
Se algum remédio que você tomou pela primeira vez provocar qualquer tipo de mal-estar, ainda que leve, comunique ao médico.
8. Álcool.
Se você tem por hábito ingerir bebidas alcoólicas, seu médico deve ser notificado. Alguns medicamentos, como os hipnóticos, tranqüilizantes ou neurolépticos, ou ainda os antitussígenos são incompatíveis com o consumo de álcool.
