Uma paciente marcou a vida profissional do mastologista e ginecologista oncológico Jorge Laerte Gennari, presidente do Instituto de Fitoterapia Ricardo Veronezi de Pesquisas em Saúde, em São Paulo, e ex-funcionário do Oncocentro na capital paulista. Foi há dez anos.
"Ela já havia passado por uma cirurgia para a retirada de um câncer na mama", conta. "E constatei que havia uma metástase. O câncer tinha alcançando o pulmão. Indiquei sessões de radioterapia, mas ela não concordou e desapareceu do meu consultório", lembra-se. Em um encontro casual com o irmão da moça, Gennari perguntou sobre seu estado. Soube que ela parecia melhor, que estava tomando um certo extrato de cogumelo ...
Esse tipo de atitude não é raro. Um levantamento do Hospital das Clínicas de São Paulo mostra que 96% dos seus pacientes com tumor apelam para alguma terapia alternativa em sua busca desesperada da cura. Alguns caminhos têm efeito psicológico, o que não é desprezível numa situação dessas, mas ... outros podem até prejudicar o organismo debilitado pelo câncer. É claro, há ainda tratamentos alternativos que mostram bons resultados e estão sendo encara¬dos como complementares aos da Medicina convencional.
Apreensivo, o especialista pediu que a moça fosse convencida a passar por uma segunda consulta depressa. "Ela apareceu e, para meu espanto, descobri que o tumor estava bem menor." O médico ficou tão instigado que viajou para os Estados Unidos só para acompanhar alguns estudos sobre o cogumelo do sol tocados pela Universidade da Califómia. Voltou de lá determinado a testar o remédio natural em pacientes brasileiros. A espécie - fique claro - só faz algum efeito sobre o sistema imune se é usada em forma de extrato. Não vale sair comendo cogumelo para reforçar as defesas.
"Em meu consultório, já indiquei o cogumelo do sol para 100 pacientes com câncer", revela. "Primeiro traço o perfil imunológico desses indivíduos, que nada mais é do que uma contagem periódica dos diversos tipos de célula de defesa. Com esse retrato nas mãos, prescrevo o extrato." Passado certo período, Gennari refaz os exames. "Em geral as células de proteção crescem de maneira impressionante", assegura. Segundo ele, há pesquisas mostrando uma ação antiviral contra o HPV, o papilomavírus. "Com o extrato, as chances de uma recidiva, ou seja, de o HPV se manifestar novamente, caem de 50% para 8%", diz.
Por enquanto ninguém decifrou completamente a ação desse cogumelo, mas é possível apontar dois prováveis respon-sáveis pelos beneficios observados: a 13 betaglucana e o ergosterol. A primeira molérula, em alguns estudos preliminares, parece ativar as células killers, integrantes do sistema imunológico que, como seu nome inglês deixa claro, agem feito matadoras - e suas principais vítimas são células anormais, como as do câncer. O ergosterol, também conhecido como pró-vitamina D, é um componente ruja presença, em tese, evitaria a formação de vasos sangüíneos que aparecem para alimentar um tumor.
"Ela já havia passado por uma cirurgia para a retirada de um câncer na mama", conta. "E constatei que havia uma metástase. O câncer tinha alcançando o pulmão. Indiquei sessões de radioterapia, mas ela não concordou e desapareceu do meu consultório", lembra-se. Em um encontro casual com o irmão da moça, Gennari perguntou sobre seu estado. Soube que ela parecia melhor, que estava tomando um certo extrato de cogumelo ...
Esse tipo de atitude não é raro. Um levantamento do Hospital das Clínicas de São Paulo mostra que 96% dos seus pacientes com tumor apelam para alguma terapia alternativa em sua busca desesperada da cura. Alguns caminhos têm efeito psicológico, o que não é desprezível numa situação dessas, mas ... outros podem até prejudicar o organismo debilitado pelo câncer. É claro, há ainda tratamentos alternativos que mostram bons resultados e estão sendo encara¬dos como complementares aos da Medicina convencional.
Apreensivo, o especialista pediu que a moça fosse convencida a passar por uma segunda consulta depressa. "Ela apareceu e, para meu espanto, descobri que o tumor estava bem menor." O médico ficou tão instigado que viajou para os Estados Unidos só para acompanhar alguns estudos sobre o cogumelo do sol tocados pela Universidade da Califómia. Voltou de lá determinado a testar o remédio natural em pacientes brasileiros. A espécie - fique claro - só faz algum efeito sobre o sistema imune se é usada em forma de extrato. Não vale sair comendo cogumelo para reforçar as defesas.
"Em meu consultório, já indiquei o cogumelo do sol para 100 pacientes com câncer", revela. "Primeiro traço o perfil imunológico desses indivíduos, que nada mais é do que uma contagem periódica dos diversos tipos de célula de defesa. Com esse retrato nas mãos, prescrevo o extrato." Passado certo período, Gennari refaz os exames. "Em geral as células de proteção crescem de maneira impressionante", assegura. Segundo ele, há pesquisas mostrando uma ação antiviral contra o HPV, o papilomavírus. "Com o extrato, as chances de uma recidiva, ou seja, de o HPV se manifestar novamente, caem de 50% para 8%", diz.
Por enquanto ninguém decifrou completamente a ação desse cogumelo, mas é possível apontar dois prováveis respon-sáveis pelos beneficios observados: a 13 betaglucana e o ergosterol. A primeira molérula, em alguns estudos preliminares, parece ativar as células killers, integrantes do sistema imunológico que, como seu nome inglês deixa claro, agem feito matadoras - e suas principais vítimas são células anormais, como as do câncer. O ergosterol, também conhecido como pró-vitamina D, é um componente ruja presença, em tese, evitaria a formação de vasos sangüíneos que aparecem para alimentar um tumor.
Papel coadjuvante
Por mais promissores que sejam os poucos trabalhos existentes até o momento, o cogumelo do sol não pode ser a base de nenhum tratamento sério. "E, de qualquer maneira, ele precisa ser ministrado junto com os tratamentos convencionais", avisa a bióloga e especialista em fitopatologia Arailde Fontes Urben, da Embrapa. "Inclusive, seu registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, é de complemento alimentar", conta Mário Kimura, dono de uma empresa que comercializa o extrato. Portanto, até que a ciência prove o contrário - e a Anvisa tome isso como certo -, o cogumelo do sol nem deveria ser divulgado como santo remédio. A eficiência desse fungo, aliás, está longe de ser consenso. O diretor do departamento de oncologia clínica do Hospital do Câncer, em São Paulo, Agnaldo Anelli, é taxativo: "Não existe comprovação da eficácia desse produto".
Quem quiser apostar no seu extrato - vendido também em cápsulas deve encará-lo como um bom suplemento. E tomar alguns cuidados. O primeiro deles, básico, é conversar com o seu médico. O segundo é ficar atento na procedência. "Já achamos cápsulas que só continham uma pitada do extrato. O restante era guaraná", conta a toxicologista Uma da Cunha Barros, de Brasília, que também pesquisa o cogumelo do sol no Instituto Ricardo Veronezi. "Os consumidores, ludibriados, até se sentiam melhor em um primeiro momento, porque o guaraná tem um efeito estimulante."
O nome popular, cogumelo do sol, surgiu porque esse fungo adora crescer em lugares ensolarados - e talvez isso faça toda a diferença. "É possível que, graças à radiação, ele sofra um estresse oxidativo que o obriga a se tornar mais resistente, desenvolvendo os componentes benéficos", pondera Jorge Laerte Gennari. Quanto ao nome científico, esse é tema de um curioso debate. "Os cientistas achavam que ele era de uma espécie chamada Agaricus blazei, originária da região da Flórida, nos Estados Unidos", conta a Angela Amazonas, pesquisadora da Embrapa Amazonas. "No entanto, a gente acredita que esse fungo é diferente e o batizamos de Agaricus brasilienses", diz ela. Nem todos os especialistas concordam com esse nome 100% nacional.




