Por ocasião das suas consultas recorrentes de neurocirurgião e especialista em dor, notou-se que o paciente respondia positivamente à morfina, mas também ao placebo (substância sem atividade farmacológica, mas que em alguns casos pode produzir resposta positiva). Para explicar o "efeito placebo", os profissionais recorreram ao sistema dos opióides endógenos.

Em virtude da invalidez, Antonio C. cumpriu jornada de meio período, mas, muitas vezes, se ausentava do trabalho, sem o conhecimento da família. Tinha dificuldade para controlar sua impulsividade, por exemplo, no que dizia respeito aos jogos de azar, sentia-se frequentimente oprimido por uma sensação de claustrofobia e às vezes mergulhava em estado de confusão mental, durante o qual apresentava medo de perder o controle e intenso sentimento de angústia.
 
Os clínicos que o acompanhavam diagnosticaram a síndrome de Munchausen, baseando-se em sua tendência patológica a mentir e na constante proucura por internações e terapial cirúrgicas - mesmo na ausência de um histórico objetivo que justificasse a sintomatologia dolorosa.

A mulher e principalmente a mãe de Antonio reagiram mal `a notícia de qeu ele sofria de transtorno emocional. Embora tivessem suportado com grande coragem e disponibilidade as numerosas intervenções cirúrgicas sofridas por ele, não aceitavam que o paciente precisasse de ajuda psicológica. Sentinham-se envergonhadas com a situação e, aos conhecidos que pediam notícias de Antonio, respondiam que estava fora a trabalho. Sob a pressão delas e sem dar aos médicos o tempo necessário para organizar um percurso terapêutico adequado. Antonio saiu do hospital.