Morra de rir

Então algo acontece: uma enxurrada de mensageiros químicos no cérebro joga Smith em um estado convulsivo. Durante segundos, ele perde o controle de grande parte do corpo. As pernas, os braços, as costas e o peito se retesam.
 
Os músculos faciais sofrem um espasmo. Os músculos do abdome e o diafragma se crispam. O coração acelera. A pressão arterial aumenta. Alguém chame um médico! Dêem um calmante ao homem! Mas a platéia de Smith também experimenta o mesmo fenômeno. Eles estão, evidentemente, rindo.

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O valor de uma gargalhada

O riso é uma experiência tão comum que nos esquecemos de como ele é estranho. Quando alienígenas nos virem rindo pela primeira vez, vão achar que estamos tendo uma espécie de ataque (e provavelmente tam¬bém não vão entender a piada). Smith faz graça falando sobre sua calvície cada vez mais acentuada:

"Minha testa está chegando à nuca." Jorram substâncias químicas, o corpo entra naquele estado convulsivo, o riso é inevitável. Smith conta à platéia que é enfermeiro: "Tem gente que acha difícil encontrar um enfermeiro, que só existem enfermeiras. Mas há enfermeiros pelo país. De vez em quando, nós sete nos reunimos para conversar."


Ele ministra um curso sobre a relação entre humor e medicina na Universidade de Minnesota e participou dessa conferência médica na Universidade Loma Linda, na Califórnia, para argumentar que o riso traz benefícios clínicos. Essa idéia é pelo menos tão antiga quanto o livro dos Provérbios, cujo capítulo 17 diz: "O coração alegre serve de bom remédio" (o que na época não queria dizer muito, a menos que gostássemos de sanguessugas).

Também é um conceito que alguns fanáticos da máxima "mente sã, corpo são" espalharam com mais entusiasmo. Mas há alguns anos um grupo audaz de cientistas, menos numeroso que o de enfermeiros, tenta descobrir a fisiologia do riso e seus prováveis benefícios.

 
À frente desses pesquisadores, temos o professor Dr. Lee Berk, da Universidade Loma Linda, que organizou a conferência na qual Smith se apresenta e que também está sofrendo convulsões no salão.

"Ainda não temos certeza de nada", adverte Robert Provine, professor da Universidade de Maryland e autor de Laughter: a seientifie investigation (Riso: uma investigação científica), "e ainda são necessários outros estudos."

 
Os resultados preliminares, porém, são bastante animadores. Todos sugerem que o riso faz bem à saúde. Portanto, entregue-se às "convulsões" e morra de rir!
 
O riso estimula a liberação de substâncias químicas prazerosas que podem nos deixar "viciados."
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