"As ervas ( ... ) prestam enorme benefício ao organismo ao estimularem sua resistência contra agentes causadores de moléstias ou ao ativarem todo o metabolismo"
Houve um tempo em que as especiarias eram comercializadas a peso de ouro. Por elas, navegadores portugueses e espanhóis lançaram-se em mares desconhecidos e perigosos e acabaram descobrindo novas terras. Essa mesma curiosidade fez com que o homem também investigasse as propriedades terapêuticas das ervas. Aos poucos, o próprio uso foi desvendando seus efeitos no organismo. Hoje se sabe que além de serem capazes de conservar os alimentos e modificar seu sabor, os temperos também aceleram o processo digestivo e melhoram as defesas do corpo. "As ervas, no seu estado natural ou na forma de essência, prestam enorme benefício ao organismo ao estimularem sua resistência contra agentes causadores de moléstias, ou ao ativarem todo o metabolismo, eliminando assim o motivo de muitos males como certas dores ou dos intestinos, resultantes da má digestão", explica o pesquisador Roberto Weil no livro “As ervas que curam, um encontro com a farmacologia natural”, publicado pela editora Gaia.
E o melhor é que fazem isso de uma forma deliciosa! Para o chef Franco Bonadini, do restaurante Piselli, em São Paulo, as ervas são o principal elemento de identificação da personalidade de um cozinheiro. "Os temperos são como membros de uma família, com uma hierarquia bem definida. O manjericão seria, nesse contexto, o avô das especiarias, pelo fato de estar presente na cozinha mediterrânea há séculos, fazendo parte de mais de 80% dos molhos utilizados por ela", diz. Com a ajuda do chef e da nutricionista Priscila de Mattos Machado Andrade, do Rio de Janeiro, montamos um glossário dos principais temperos, suas aplicações mais indicadas na culinária e suas propriedades terapêuticas. Que tal experimentar?
Pimenta calabresa
Na culinária: mais usada na finalização dos pratos, a pimenta tem um uso um tanto restrito, pois seu efeito está mais relacionado à sensação do que ao sabor.
Na saúde: boa para o fígado, por ser um ingrediente quente, deve ser evitada por pessoas com hipertensão. Indicada nos casos de anorexia, dispepsia, faringite e inflamações. Contém uma substância chamada capsaicina que, em baixas doses, estimula o apetite e a secreção de sucos gástricos, além de diminuir a dor.
Hortelã
Na culinária: bastante utilizada na região da Toscana, principalmente nas receitas à base de peixe.
Na saúde: tem várias propriedades curativas. É calmante, tônica, antiespasmódica, combate os vermes e é digestiva. Usada contra inapetência, dispepsia, flatulência, síndrome do cólon irritável, vômitos, enxaqueca, fadiga e sinusite. Também alivia dor de dente, urticária, gripes e resfriados. Na homeopatia é utilizada na tosse seca, cólica hepática e ainda contra o prurido vaginal.
Orégano
Na culinária: ingrediente importante para personalizar os pratos preparados pelo chef, combina com massas, carnes e saladas.
Na saúde: é usado contra inapetência, diarréia, faringite,bronquite, asma, otite, e sinusite. Também é eficaz para problemas de pele. É digestivo, expectorante, anti-séptico e diurético. Topicamente é analgésico e cicatrizante.
Noz-moscada
Na culinária: muito relacionada à categoria de sabores e sensações, Bonadini a utiliza em risotos e na produção das massas frescas.
Na saúde: melhora a função hepática, é diurética e digestiva. Muito usada contra inapetência, diarréia, halitose e dores musculares. Aumenta o apetite, é anti-séptica e estimulante do sistema nervoso central. Seus óleos essenciais têm efeito antiinflamatório.
Açafrão-da-terra
Na culinária: para Bonadini, o açafrão é o barão das especiarias, não só pelo preço, mas também por ser um ingrediente completo em sensação e sabor, não precisando da ajuda de nenhum outro tempero para dar ao prato um aroma único e bastante nobre.
Na saúde: usado como antiinflamatório nas artrites, eczemas, psoríase tosse e machucados. Previne aterosclerose e trombose e combate problemas gastrointestinais e hepáticos.
Sálvia
Na culinária: espécie de filha do manjericão, costuma ser usada para valorizar o preparo de peixes e carnes.
Na saúde: seu chá combate inflamações nas gengivas e aftas, aumenta o apetite, melhora as secreções digestivas, age contra gastroenterites, diarréias e hipertensão arterial. Indicada para problemas de pele, como micoses e feridas. Em xampus tem ação anticaspa e estimulante. Usada em loções para peles oleosas e com acne.
Manjericão
Na culinária: muito utilizado em molhos da cozinha mediterrânea, é um companheiro fiel do tomate e de suas variações.
Na saúde: possui propriedades digestivas e elimina os radicais livres. É indicado para dispepsia, tosse irritativa, inapetência, enxaquecas, parasitoses intestinais, faringite, feridas e combate dores musculares.
Alecrim
Na culinária: muito requisitado para o preparo de peixes e carnes, tanto no tempero quanto no molho.
Na saúde: é um excelente antioxidante. Como chá, limpa as mucosidades estomacais, abre o apetite e facilita a digestão. Usado também nos casos de estresse, inflamações, seborréia, contusões e entorses. Seu óleo essencial é bactericida
Manjerona
Na culinária: assim como o orégano, a sálvia e o alecrim, intensifica o sabor de carnes, peixes e molhos.
Na saúde: o vapor da infusão da planta é bom para desobstruir o nariz. Como chá combate artrites e reumatismo. Colocada em alimentos, auxilia na digestão, e estimula o apetite. Indicada contra gastrite, úlcera, ansiedade, hipertensão arterial, insônia, enxaqueca e problemas respiratórios. É analgésica e cicatrizante.




