Horários do corpo

A vida mudou desde que aprendemos a esticar o dia com luz artificial. A sofisticação tecnológica também trouxe atrativos a mais, levando muitas pessoas a trocarem o dia pela noite e vice-versa. Muitos dormem tarde demais e acordam tarde demais. A partir das 6 horas, o corpo produz um hormônio que faz acordar, o cortisol.
 
Entre 7 e 8 horas, a taxa de cortisol no corpo atinge a concentração máxima. Essa faixa de horário é ideal para acordar com facilidade e com o "pé direito". Voltar a dormir é um erro. Por volta das 9 horas o corpo começa a produzir endorfinas (analgésicos naturais) que encorajam um sono pesado, do qual será difícil sair sem dor de cabeça ou mau humor.

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Pesquisas realizadas por Yvan Touitou, cronobiologista da Faculdade de Medicina Pité-Salpêtriere, de Paris, França, comprovaram a existência de uma de sincronização muito importante em portadores de câncer de mama, ovário e próstata. A cronobiologia entra no tratamento desses pacientes para harmonizar o tempo biológico e o tempo astronômico.

 
"Esse procedimento é muito importante, pois a ausência de concordância entre a hora da tomada de medicamentos e a hora biológica apropriada pode ter implicação quanto à maior ou menor eficácia do tratamento", diz o pesquisador.

Segundo a cronobiologia, quem gosta ou precisa acordar tarde já começa o dia em desvantagem. O relógio do corpo existe e precisa ser atendido. Veja a seguir como Touitou orienta, hora a hora, os melhores momentos para atividades como dormir, pensar, fazer exercícios físicos, sexo etc.

Entre 9 e 10 horas: Hora ideal para marcar uma consulta com o dentista: as endorfinas estão em alta nesse horário e funcionam como anestésico. Como a taxa de serotonina (neuro-transmissor ligado ao prazer) está em seu apogeu, essa é também a hora certa para as folias amorosas.

Entre 10 e 12 horas: O estado de vigilância atinge o seu pico e a memória de curto prazo está mais ativa. Depois que as endorfinas presentes entre 9 e 10 horas desaparecem, o organismo atinge a sua velocidade ideal. É o momento certo para refletir, discutir idéias e encontrar inspiração.

Entre 13 e 14 horas: A moleza que dá depois do almoço não se deve unicamente à digestão, mas também a uma queda de adrenalina que acelera o ritmo cardíaco. Para retomar a disposição, bas¬ta uma sesta de 20 minutos.

Entre 15 e 16 horas:
Ao mesmo tempo em que a capacidade intelectual diminui, a forma física encontra o seu apogeu no meio da tarde. Visto que não há produção de hormô-nios nesse horário, os cronobiologistas ainda não encontraram uma explicação para o fato.

Entre 18 e 19 horas: A partir das 18 horas, o organismo fica mais vulnerável à poluição e ao monóxido de carbono. Evite engarrafamentos e ficar perto de fumaça de cigarro. Nesse horário há um novo pico da atividade intelectual e o estado de vigilância aumenta. Seria um bom momento de as crianças fazerem as tarefas escolares, por exemplo.

A partir das 20 horas …
A melatonina (hormônio do sono) invade progressivamente o corpo a partir das 18 horas, mas é às 20 horas que aparece o primeiro momento ideal para dormir, sucedido por outros iguais a cada duas horas. Neste horário, o prazer sexual favorece o sono, pois desencadeia a secreção de endorfinas no cérebro.

Entre 21 horas e 1 hora da manhã: Essa fase do sono é muito importante porque coincide com o pico da produção do hormônio do crescimento, indispensável para a renovação das células e a recuperação física. Esse hormônio permite que os conhecimentos adquiridos na véspera sejam armazenados no cérebro.

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