Entre os malhadores, a corrida é um hit: faz parte da rotina de exercícios para manter pernas bem torneadas, abdômen definido, enfim, uma silhueta enxuta, além de proporcionar maior resistência e fôlego. Mas também é uma opção para quem busca simplesmente combater o sedentarismo ou gosta de uma atividade ao ar livre. Segundo especialistas, trata-se até de uma reação natural do ser humano, como se fizesse um resgate da necessidade primitiva que o organismo tem de manter-se em movimento para continuar saudável. Isso porque, há milhares de anos, quando o homem era nômade, tinha de caçar e fugir de predadores e, assim, dependia de sua aptidão física para sobreviver.
A corrida é uma prática que traz vantagens para o corpo todo. "Os ossos são fortalecidos – o que evita a osteoporose -, o coração fica mais resistente e eficiente, as camadas de gordura e as taxas do diabetes diminuem e a pressão arterial se normaliza", afirma o fisiologista Paulo Zogaib, do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte (Cemafe) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
‘Acelerar’ faz tão bem que pode até aumentar a quantidade de neurônios e, conseqüentemente, melhorar a memória. "O Estudo Clínico Corredores São Silvestre (ECCOSS) apresenta dados mostrando que o exercício atenua o declínio da função cognitiva, o que significa vida longa à capacidade de raciocinar", diz o médico Jacob Jehuda Faintuch, especialista em medicina esportiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Neurônios ativados
A melhora da coordenação neuro-muscular é uma das peças-chave da história. "Quem corre aprende a usar a musculatura solicitada durante o exercício. Então os comandos enviados pelo cérebro para que o movimento seja realizado corretamente ficam mais eficientes. E a maior atividade cerebral acaba aumentando o número de neurônios", explica Zogaib.
Os benefícios não param por aí. A prática aumenta a eficácia dos sistemas aeróbico e anaeróbico, que passam a usar com mais propriedade o açúcar e a gordura para produzir energia para todo o corpo. Além disso, correr faz com que o organismo libere mais endorfinas – substâncias produzidas pela glândula hipófise, no cérebro – que se dividem em dois grupos.
Um tem ação analgésica e antiinflamatória, diminuindo as dores nos músculos e tendões. O outro promove sensação de bem-estar e combate o estresse, a ansiedade e a depressão. "Cada estímulo cria adaptações novas e o organismo vai ficando mais apto de forma geral. Isso ocorre até com o impacto sofrido pelas articulações. Quanto mais condicionado, melhor suporta a sobrecarga sem sofrer danos", garante o fisiologista do Cemafe.
Para quem está ‘enferrujado’, é bom ter cuidado antes de calçar o tênis e ganhar a pista. "Deve-se usar o bom senso. O exercício tem de se adaptar às condições individuais de cada um", diz Paulo Zugaib. E, em um primeiro momento, o sedentário colherá mais frutos se caminhar. "Só se deve começar a correr quando o corpo estiver preparado. E, depois que isso acontecer, a pessoa vai perceber, dia a dia, a evolução de seu condicionamento aeróbico e cardiovascular", garante Marcos Paulo Reis (SP), técnico da equipe de corrida Pão de Açúcar.
Desafiando limites
O progresso motiva o indivíduo a superar marcas, o que também é uma ótima forma de incentivo. Se alguém corre cinco quilômetros em 30 minutos, por exemplo, pode se propor ultrapassar essa marca: atingir igual distância em menos tempo ou no mesmo período trilhar um percurso maior. Para a prática saudável da atividade ainda é indicado alternar dias de treinamento, bem como a intensidade. Por fim, intercalar exercícios de coordenação e flexibilidade, além de alongamento e musculação, são essenciais para se obter um resultado global.
Animado? Então entre no ritmo mais lento, é claro, se você for iniciante. Correndo na esteira da academia, pelo parque ou por ruas sossegadas, você ganha qualidade de vida.
