A Nutrição Parenteral e Enteral compreende métodos de terapia nutricional indicados para pacientes que não conseguem ou não devem se alimentar da forma tradicional (pela boca). Essas técnicas garantem o fornecimento de calorias, vitaminas, minerais e proteínas necessários para a recuperação de indivíduos hospitalizados ou em cuidados domiciliares (home care).
Este texto serve como um guia orientativo para pacientes, familiares e cuidadores compreenderem as diferenças entre as duas modalidades e os cuidados fundamentais para a segurança do tratamento.
Qual é a diferença entre Nutrição Enteral e Parenteral?
A escolha entre os dois métodos baseia-se no funcionamento do aparelho digestivo do paciente.
1. Nutrição Enteral (NE)
É a alimentação administrada na forma líquida por meio de uma sonda ou tubo diretamente no estômago ou no intestino. Ela é indicada quando o sistema digestivo funciona perfeitamente, mas o paciente não consegue engolir ou ingerir a quantidade necessária de comida por conta própria.
- Vias de acesso: Sonda nasogástrica/nasoenteral (entra pelo nariz) ou gastrostomia/jejunostomia (fixada por uma pequena cirurgia diretamente no abdômen).
2. Nutrição Parenteral (NP)
É a alimentação infundida diretamente na veia (corrente sanguínea) por meio de um cateter venoso. Ela é utilizada apenas quando o trato gastrointestinal está totalmente impossibilitado de funcionar ou absorver nutrientes (por exemplo, após grandes cirurgias intestinais ou obstruções).
- Vias de acesso: Acesso venoso central (veias mais profundas do pescoço ou tórax) ou periférico (veias dos braços, para tratamentos curtos).
Indicações Comuns para a Terapia Nutricional
- Casos de Nutrição Enteral: Pacientes que sofreram AVC (derrame) com dificuldade de deglutição, pessoas com câncer de boca ou esôfago, ou pacientes inconscientes em UTIs.
- Casos de Nutrição Parenteral: Pacientes com síndrome do intestino curto, fístulas digestivas graves, vômitos incoercíveis ou pancreatite aguda grave.
Sinais de Alerta: Quando acionar a equipe de saúde?
O monitoramento deve ser constante para evitar complicações metabólicas ou mecânicas.
Na Nutrição Enteral:
- Náuseas, vômitos ou estômago estufado: Pode indicar que o estômago está demorando a esvaziar.
- Diarreia ou constipação severa: Sinais de que a velocidade da infusão ou a fórmula precisam ser ajustadas.
- Sonda entupida ou deslocada: Nunca tente desentupir com objetos rígidos ou empurrar a sonda de volta para dentro.
Na Nutrição Parenteral:
- Febre ou calafrios súbitos: Alerta máximo para infecção no cateter venoso.
- Vermelhidão, inchaço ou saída de secreção: No local onde o cateter entra na pele.
- Falta de ar ou palpitações: Pode indicar sobrecarga de fluidos no organismo.
Guia de Orientação para Cuidadores e Familiares
A manipulação dessas dietas exige rigor técnico e higiene absoluta para evitar infecções bacterianas.
Cuidados com a Nutrição Enteral (Sondas):
- Higiene das mãos: Lave as mãos com água e sabão e use álcool em gel antes de tocar na dieta ou nos equipos.
- Posição do paciente: O paciente nunca deve estar deitado reto durante a alimentação. Mantenha a cabeceira da cama elevada (em um ângulo de 30° a 45°) durante a infusão e por pelo menos 30 minutos após o término.
- Lavagem da sonda: Injete cerca de 20ml a 40ml de água filtrada na sonda logo após a administração de dietas ou medicamentos para evitar entupimentos.
- Conservação: Dietas industrializadas abertas devem ser guardadas na geladeira pelo tempo indicado pelo fabricante (geralmente no máximo 24 horas) e retiradas antes para atingir a temperatura ambiente.
Cuidados com a Nutrição Parenteral (Veia):
- Manuseio restrito: A bolsa de nutrição parenteral e o cateter devem ser manipulados preferencialmente por profissionais de enfermagem treinados.
- Inspeção visual: Antes de pendurar a bolsa, verifique se o líquido está homogêneo, sem separação de fases (gotas de gordura flutuando) ou partículas estranhas.
- Exclusividade do acesso: A via do cateter usada para a nutrição não deve ser utilizada para colher sangue ou infundir outros medicamentos sem autorização médica expressa.
Esse texto é apenas para fins informativos. Para orientação ou diagnóstico médico, consulte um profissional.




