'O voto é uma arma que o brasileiro não sabe usar', afirma candidato a presidente Wilson Grassi

Em entrevista para a Sputnik Brasil nesta sexta-feira (2), ele equiparou o Brasil a uma empresa e o povo brasileiro ao gestor do Recursos Humanos (RH), em que os 12 candidatos a presidente representam aspirantes à vaga de CEO, mas apenas dois são considerados:
Ele descreveu o burro como alguém que não sabe que está errado, porque é burro. Já o jumento, classificou, é alguém que sabe que está errado, mas é teimoso e prefere insistir no erro.
"Aonde eu quero chegar? O brasileiro está prestes a fazer uma escolha que não vai levar o Brasil a lugar nenhum" argumentou.
Empresário e veterinário paulista, Grassi é o primeiro candidato próprio à presidência pelo Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB), que foi fundado em 2015. Já disputou cargos de vereador, deputado estadual e federal por São Paulo, pelos partidos PV e PRTB.
O candidato destacou que mesmo quem está bem financeiramente não pode estar satisfeito com a situação do país, com tanta desigualdade e pobreza:
O candidato também propôs acabar com todas as emendas e penduricalhos para deputados e senadores e em troca os parlamentares ganhariam R$ 1 milhão por mês de salário.
Segundo ele, o Brasil hoje é refém do Congresso e o jeito é "negociar com o sequestrador". Para ele, com um bom salário fixo sem chances de barganhar novos valores, o parlamentar votará de forma mais consciente e responsável.
O empresário observou que deputados e senadores não querem o mal do Brasil, mas sim resolver o problema deles primeiro: "Então vamos garantir isso. Tenho certeza que eles vão trabalhar para o bem do povo e vai sair muito mais barato", asseverou.
Na área econômica, a proposta principal da campanha de Grassi é a criação do Imposto Único Federal (IUF) para substituir nove impostos federais que somam 35% sobre a produção, o faturamento e a folha de pagamento, com pouco retorno para a população, afirmou:
O plano de campanha tem estudo com as contas sobre a viabilidade do imposto sem perda de arrecadação.
Com o fim dos encargos altos e dos impostos sobre a folha de pagamento, ele garantiu que será possível mais que duplicar o salário mínimo e, com isso, deixar o trabalhador em pé de igualdade na hora de negociar com o patronato, sem necessidade de mediadores.
Com essa nova realidade, será possível, segundo ele, extinguir a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e a Justiça do Trabalho:
A proposta de aumentar o valor do Bolsa Família para R$ 2 mil mensais também faz parte da proposta do programa do candidato, com a condição de que o beneficiário do programa perca o direito ao voto.
A proposta, acrescentou o candidato, também prevê que o valor do auxílio diminua à medida que o beneficiário tenha mais filhos:
Ele admitiu que já foi contra o Bolsa Família, mas que com o avanço da inteligência artificial, a tendência é que uma enorme parcela da população fique desempregada, e programas de redistribuição de renda serão mecanismos financeiros fundamentais para subsidiar milhões de pessoas.
"Então, a gente tem que encontrar uma fórmula agora de fazer a economia girar rápido de um lado, ganhar muito dinheiro com isso, ter muito dinheiro recolhido dos impostos, para desse lado aqui, nós vamos ter que realmente subsidiar milhões e milhões e milhões de desempregados, porque a IA vai fazer o serviço de quase todo mundo".
Na área da saúde, a proposta mais inédita do candidato é a aplicação de toxina botulínica em mulheres de baixa renda pelo Sistema Único de Saúde, popularmente conhecido como botox. Segundo ele, o programa, que apelidou de Meu Botox Minha Vida, em analogia ao programa já existente de habitação, Minha casa Minha Vida, é questão de saúde pública:
"Não é uma injeção para ruga, é uma injeção para autoestima elevada, significa saúde emocional e saúde emocional faz a mulher trabalhar melhor, ganhar mais. Ela se sente mais segura e mais confiante, faz ela terminar relações tóxicas, começar novas relações saudáveis ou ficar sozinha de uma forma mais positiva", opinou.
A medida pode, inclusive, colaborar, na opinião dele, para o combate à violência contra mulheres:
Na área da educação, Grassi defendeu que os investimentos priorizem cursos técnicos para garantir empregabilidade, principalmente na construção civil, na indústria automobilística e na indústria de tecnologia.
"Quero apostar mais em cursos técnicos do que em cursos universitários", sustentou.
Na educação de base, a proposta é incluir na grade curricular matérias que preparem os estudantes para a vida prática, como educação financeira e inteligência artificial:
Ele incluiu ainda o ensino sobre direito dos animais, pois, justificou, "uma pessoa que respeita os animais, respeita as pessoas. Uma pessoa que desrespeita, a pessoa que chuta cachorro é a mesma pessoa que bate na mulher e que agride um outro homem que considere mais fraco", fundamentou.
Se eleito, Grassi afirmou que seu governo vai gastar muito menos do que arrecada, o que vai possibilitar o aumento em vários investimentos nas diferentes áreas, dentre elas a da habitação. E um desses investimentos seria para garantir que as prestações da casa própria tenham mesmo valor do aluguel:
Ao se classificar um pacifista, o candidato do Democrata a Presidência questionou o alto grau de encarceramento no Brasil, que, na sua opinião, produz mais criminosos e onera a União:
"Em vez de ficar em uma prisão custando R$8 mil reais por mês e se transformando num criminoso perigoso e traumatizado, não é melhor a gente tirar essa pessoa da cadeia, colocar essa pessoa numa escola de cidadania, ensinar a cidadania e preparar essa pessoa para o emprego técnico?", sugeriu. "A partir do momento que a gente tiver muito menos gente presa, vai ser mais fácil a gente administrar melhor os presos violentos."
Ele ressaltou que seu governo pretende fazer plebiscitos para que a população possa decidir os rumos de algumas políticas:
O candidato declarou ainda que sua missão não é ganhar a eleição, mas servir como uma espécie de profeta para que suas ideias sejam aproveitadas no futuro:
"Se eu ganhar essa eleição, minha vida piora, se eu perder, a minha vida se mantém. A minha vida é maravilhosa, graças a Deus, eu comecei pobre e fiquei rico agora [...] eu não preciso mentir, sou praticamente um profeta nessa eleição, venho aqui para falar o que tem que ser feito e talvez não seja feito agora, mas talvez daqui a 30, 40, 50 anos isso aconteça. Aí os caras vão lembrar que lá em 2026 tinha um veterinário, a gente achava que era louco, mas ele não era louco, tudo que ele falou aconteceu, ele só estava à frente do tempo dele", completou.

Fonte: Sputnik Brasil.

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