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O Amazonas enfrenta uma crise de incêndios que vem sufocando cidades, incluindo Manaus. Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), feito a pedido de um portal de notícias brasileiro, mostra que 79,1% dos 1.639 focos de calor registrados no estado entre 1º e 15 de outubro ocorreram dentro de imóveis rurais privados com Cadastro Ambiental Rural (CAR).
A situação ocorre em meio à seca agravada pelo fenômeno El Niño, que favorece a propagação das chamas pela vegetação ressecada. Segundo o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, a estiagem cria condições propícias para os incêndios se espalharem, mas o início do fogo decorre da ação humana, aproveitando-se justamente da vulnerabilidade ambiental do momento.
As investigações já mobilizam Ibama, Polícia Federal (PF), Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Polícia Civil do Amazonas. Segundo a apuração, em operações de fiscalização, agentes encontraram garrafas com combustível lançadas ao longo de estradas. Desde a semana anterior ao levantamento, o Ibama aplicou R$ 2 milhões em multas, enquanto a Polícia Civil instaurou mais de 120 procedimentos para apurar o uso criminoso do fogo.
Os incêndios ocorrem simultaneamente a uma queda recorde do desmatamento na Amazônia, o menor índice desde 1988 segundo o INPE. A aparente contradição se explica pelo fato de que a maior parte do fogo não atinge floresta preservada, mas áreas já desmatadas. Em outubro, 52,8% dos focos ocorreram em áreas abertas nos últimos três anos, 30,6% em áreas desmatadas há mais tempo e apenas 15,9% em vegetação nativa.
Mesmo representando uma parcela menor dos registros, os focos que atingem vegetação nativa preocupam. Com a seca extrema, incêndios iniciados em propriedades rurais podem escapar ao controle e avançar por quilômetros, alcançando florestas, unidades protegidas e territórios indígenas uma vez que o déficit de chuvas na região tem agravado o cenário de seca, especialmente em Manaus.
O Ibama afirma ter autuado 19 pessoas em uma semana nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea, na região metropolitana da capital. As multas somam R$ 2 milhões e mais de 250 hectares foram embargados. Segundo o órgão, muitos casos envolvem proprietários que iniciam queimadas sem autorização e acabam permitindo que as chamas avancem para áreas protegidas.
Entre 4 e 14 de outubro, foram registrados 5.598 focos de calor, número 37 vezes superior ao observado no mesmo período do ano anterior e acima até dos níveis registrados durante a seca histórica de 2023. Para o Ibama, a causa da explosão ainda depende de investigação, mas relatos de campo indicam possível sensação de impunidade durante o período eleitoral.
Fonte: Sputnik Brasil.
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