‘É uma marca pessoal’: Milei entra na campanha espanhola com duras críticas a Pedro Sánchez

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Em discurso a empresários reunidos no Nueva Economía Fórum, Milei classificou Sánchez como um “ditador inapresentável” e convocou os espanhóis a tirar os socialistas do poder.
A visita, a sétima do presidente argentino à Espanha desde que assumiu o cargo, em dezembro de 2023, ocorreu duas semanas depois de Sánchez dissolver as Cortes Gerais e antecipar as eleições, após a derrota parlamentar de seus decretos sobre habitação. Assim como nas viagens anteriores, não houve encontros com o Governo espanhol, e a Casa Real descartou uma reunião com o rei Felipe VI.
A passagem por Madri ocorreu uma semana após uma viagem a Washington, quando Milei pediu declarou apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump nas eleições legislativas de 3 de novembro e declarou ao candidato brasileiro Flávio Bolsonaro, que enfrentará, em 25 de outubro, o atual chefe de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno das eleições presidenciais.
O Ministério das Relações Exteriores emitiu um comunicado oficial em que chamou a conduta do presidente argentino de “indigna”, condenou seus insultos e o apelo à violência e rejeitou o que considerou uma ingerência nos assuntos internos do país.
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) instalou em sua sede principal uma faixa irônica de boas-vindas, assinada por “os esquerdistas e as esquerdistas”, que apresenta a Espanha como o país que mais cresce na Europa. Paralelamente, houve protestos de estudantes na Universidade Rey Juan Carlos, onde Milei discursou, e do sindicato UGT.
O pano de fundo é uma relação bilateral deteriorada desde maio de 2024, quando Milei chamou a esposa de Sánchez de corrupta durante um evento do partido Vox.
Desde então, a Embaixada da Espanha em Buenos Aires está sem embaixador titular, embora o país europeu seja o segundo maior investidor estrangeiro na Argentina, com cerca de 15% do total.
Doutor em Ciência Política, Alejandro Corbacho afirmou a Sputnik que a viagem não tinha nenhuma finalidade oficial além da reunião com Díaz Ayuso, “de modo que representa muito mais uma marca pessoal do que uma atuação em representação do Estado”.
O cientista político acrescentou que a viagem teve um propósito eleitoral: “há um claro apoio político aos setores de direita da Espanha”.
Para o especialista, é “impossível pensar nisso sem fazer referência à ‘batalha cultural’ defendida por Milei. A Espanha é um cenário importante, porque é governada por um presidente absolutamente distante da narrativa conservadora”.
De acordo com a assessoria de Milei, um dos pontos altos da visita foi a reunião com a presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, do Partido Popular (PP), de quase duas horas.
A chegada de migrantes a cidade Ceuta, as condições da classe média e a legislação que permitiu que descendentes de exilados espanhóis obtivessem a nacionalidade (Lei dos Netos) estiveram entre os temas da conversa.
Ayuso pediu ao chefe de Estado sul-americano que participasse da Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, que será realizada em Madri nos dias 4 e 5 de novembro, e o governo Sánchez também não descartou sua presença. Até o momento, a Casa Rosada não confirmou se Milei viajará novamente à capital espanhola, a pouco mais de três semanas das eleições.
A visita ocorre em um cenário eleitoral favorável aos aliados de Milei, em que pesquisa de opinião colocam o PP em primeiro lugar, o PSOE em segundo e o Vox em terceiro, com as duas forças de direita somando entre 189 e 210 cadeiras, acima das 176 necessárias para alcançar a maioria absoluta.
A direita espanhola, no entanto, administrou com cautela a presença do argentino. O líder do partido Vox, Santiago Abascal, principal oponente de Sanches, manteve a agenda de campanha no norte do país europeu e conversou com Milei apenas por videochamada. Já o PP evitou se pronunciar sobre a viagem, e seu líder, Alberto Núñez Feijóo, também não se reuniu com o mandatário.
Em entrevista à Sputnik o analista internacional Héctor Bernardo comentou a estratégia de Milei que tem sido sua marca desde que assumiu o governo argentino, tentando se aproximar de figuras mais à direita, como foi o caso da primeira-ministra da Itália Giorgia Meloni. Segundo ele, a figura de Milei, no entanto, tem gerado cautela por parte desses líderes europeus.
Segundo Bernardo, a retórica do presidente argentino vai muito além das fronteiras da Espanha. “Milei se transformou em uma bandeira dessa onda de líderes mais conservadores que começaram a surgir em todo o mundo nos últimos anos, e é nesse contexto que se insere sua visita à Espanha”, afirmou.
O especialista acrescentou que “muitas vezes, ele é levado quase como uma referência para os processos eleitorais, como aconteceu no Brasil, na tentativa de aproveitar sua popularidade”.
Corbacho considerou que “a viagem de Milei é relevante, porque ele continua apostando na construção de um polo mundial de líderes com afinidades ideológicas:

Fonte: Sputnik Brasil.

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