O chanceler russo abriu o discurso mencionando a crise política ucraniana de 2004 e o que classificou como uma "terceira rodada ilegal" das eleições presidenciais. Segundo Lavrov, naquele contexto, Bruxelas decidiu pressionar os ucranianos a escolher entre a Rússia e a Europa. "Em 2013, houve manifestações organizadas em Kiev com um apelo para concluir rapidamente um acordo de associação entre a Ucrânia e a União Europeia, ignorando abertamente seus compromissos no âmbito da Comunidade dos Estados Independentes (CEI)", disse.
No ano seguinte, conforme Lavrov, o então presidente Viktor Yanukovych negociou com a oposição para resolver a crise em meio aos protestos, com a formação de "um governo de unidade nacional e a realização de eleições presidenciais antecipadas, além da rejeição imediata, pelas autoridades e pela oposição, do uso de qualquer tipo de força".
Porém, segundo o chanceler russo, na noite de 22 de fevereiro, a oposição ignorou as garantias e assinaturas do acordo, ocupou prédios do governo e declarou que não formaria um governo de unidade nacional, mas "um governo dos vencedores". No dia seguinte, segundo Lavrov, representantes europeus classificaram a mudança de poder como uma transferência democrática.
Para Lavrov, caso os países europeus tivessem pressionado a oposição a cumprir o acordo firmado em fevereiro de 2014, a integridade territorial da Ucrânia poderia ter sido preservada dentro das fronteiras de 1991. Posteriormente, segundo o chanceler russo, vieram os Acordos de Minsk, assinados em 12 de fevereiro de 2015 e aprovados por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU, por iniciativa da Rússia.
Já em 2019, Lavrov afirmou que Zelensky foi apresentado no formato Normandia com "slogans estridentes" de que estabeleceria a paz e boas relações com a Rússia e acabaria com os ataques contra a língua russa.
Conforme Lavrov, as propostas apresentadas pela Rússia em dezembro de 2021 para um acordo com "base no respeito mútuo aos interesses de segurança da Rússia, da Europa e da América do Norte" foram rejeitadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e pelo então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
"Na prática, eles estavam preparando uma tomada pela força, por Kiev, dos territórios do Donbass que não estavam sob seu controle. Para realizar esse cenário ocidental, ou melhor, para impedi-lo, em fevereiro de 2022 tivemos de iniciar nossa operação militar especial", justificou o chanceler russo.
Pouco mais de uma semana depois, acrescentou Lavrov, a Ucrânia solicitou negociações, e a Rússia concordou. As partes realizaram várias rodadas de conversas em Bruxelas e Istambul, na Turquia. Entre os princípios apresentados estavam o status neutro da Ucrânia, o reconhecimento das realidades no terreno e garantias coletivas de segurança.
Mais de três anos após o início do conflito, Lavrov citou a cúpula realizada entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin em Anchorage, no Alasca, em agosto de 2025, ocasião em que, segundo o chanceler russo, o líder russo aceitou alguns compromissos em relação às propostas apresentadas por Washington para alcançar um acordo em princípio.
"Então, os europeus foram a Washington, e tudo foi feito para impedir a implementação dos acordos de Anchorage. Como resultado, em junho de 2026, houve a reunião do G7 em Évian e a cúpula da OTAN, e Emmanuel Macron e outros líderes ocidentais declararam orgulhosamente que haviam enterrado Anchorage", afirmou.
Por fim, Lavrov lembrou que o objetivo da operação militar especial na Ucrânia é garantir os interesses de segurança da Rússia e levar em consideração os direitos da população de língua russa, que, segundo ele, enfrenta "uma proibição total da língua em todas as esferas, na educação, na mídia, na cultura, na vida cotidiana e também na Igreja Ortodoxa Ucraniana canônica".
Fonte: Sputnik Brasil.




