O Brasil aparece como o quinto país com maior número projetado de mortes associadas ao calor excessivo, atrás de Nigéria, com 31,4 mil óbitos estimados; Indonésia, com 19,3 mil; Sudão, com 17,5 mil; e Índia, com 15,8 mil. Só na América Latina, o levantamento estima ao menos 24,2 mil mortes.
Em todo o mundo, o estudo estima 451 mil mortes relacionadas aos dias de calor extremo no período analisado. A projeção considera apenas os efeitos do calor e não inclui mortes registradas durante o verão europeu que já foram associadas às altas temperaturas relacionadas ao fenômeno.
O relatório afirma ainda que o El Niño deste ano pode ser uma espécie de antecipação das condições climáticas que devem se tornar mais frequentes nas próximas décadas. Os autores descrevem o fenômeno como um "cartão-postal do nosso futuro" e apontam que as temperaturas previstas para os próximos meses podem se tornar normais em poucas décadas.
Além das mortes provocadas pelo calor extremo, o fenômeno pode estar associado a secas, incêndios florestais e inundações. O estudo recomenda medidas de adaptação para reduzir os impactos das altas temperaturas, como sistemas de alerta precoce, identificação e acompanhamento de populações vulneráveis, centros de resfriamento e proteção para trabalhadores que atuam ao ar livre.
Os choques climáticos associados ao fenômeno climático do El Niño devem pressionar os preços dos alimentos no Brasil, especialmente hortaliças e carnes, que tendem a reagir rapidamente às mudanças na oferta.
Segundo um modelo matemático do banco cooperativo internacional especializado em agronegócio e alimentos Rabobank, os efeitos podem atingir o pico em até seis meses após o início do fenômeno, refletindo o impacto direto de secas e chuvas intensas sobre regiões produtoras.
O estudo, divulgado pela mídia brasileira, indica que, em um cenário de El Niño forte, os alimentos in natura podem encarecer quase 20%, enquanto a alimentação no domicílio avançaria mais de 6%. Em episódios moderados, as altas seriam menores, mas ainda relevantes, com aumentos de 13,4% para in natura e cerca de 2% para alimentação no domicílio. A sensibilidade desses produtos decorre de ciclos produtivos curtos e dependência direta das condições climáticas.
Fonte: Sputnik Brasil.




