Quase três décadas após os primeiros diagnósticos do vírus HIV no Brasil, já é possível dizer que o cenário começa a mudar. Além dos coquetéis que possibilitaram melhor qualidade de vida aos portadores do vírus, agora os casais já podem constituir uma família sem tantos temores de ver o filho doente. A transmissão vertical (de mãe para o filho durante a gestação, parto e amamentação) diminuiu 50% segundo dados do último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde.
Estima-se que existam no mundo milhões de casais "sorodis-cordantes" (ou seja: um dos dois é portador de um vírus e outro, não) por infecções dos vírus HIV, o vírus da Aids, e HCV, o vírus da hepatite C. Esses casais não podem manter relações sexuais sem camisinha, claro. Mas, se o infectado for o homem, o casal já pode conceber um bebê saudável. Tudo graças às técnicas da reprodução assistida. Por incrível que pareça, é possível "lavar" o esperma para eliminar os vírus.
Chamado de lavagem seminal, o procedimento elimina os espermatozóides contaminados. A técnica consiste em separar e retirar todo o líquido seminal existente, logo após a ejaculação, até obter somente um concentrado de espermatozóides. "Há seis anos, atendíamos no máximo dois casos de pacientes com o vírus por ano. Hoje são dois casos por mês.", afirma o doutor Roger Abdelmassih, especialista em reprodução humana.
Depois de uma análise da amostra de sêmen, o procedimento acontece em três etapas. Na primeira, a carga viral é diluída em cerca de 10 mil vezes. Depois o sêmen é capacitado (um "enduro" para que os espermatozóides vivenciem o meio natural que deveriam percorrer para a fertilização). Na terceira, o sêmen é submetido à nova lavagem com meios de cultura e equipamentos mais sofisticados que reduzirão em 100 mil vezes a carga viral. Mesmo depois de tanta "limpeza", recomenda-se que o procedimento de fertilização seja feito por meio de ICSI (injeção de espermatozóide no óvulo) - técnica que permite que um único espermatozóide seja injetado dentro de cada óvulo com ajuda de uma micropipeta e um microscópio - para que se tenha absoluta segurança de obter um embrião não infectado.
APAGUE O CIGARRO
Segundo pesquisadores da Espanha e de Portugal, fumar com freqüência pode reduzir as chances de um embrião se fixar na parede do útero. Eles analisaram os índices de gravidez em mulheres que fizeram tratamento para engravidar usando óvulos doados e descobriram que 52,2% das mulheres que fumavam pouco (menos de dez cigarros por dia) ficaram grávidas na primeira tentativa, comparado com 34,1 % das mulheres que fumavam muito. Isso demonstra que o fumo afeta a receptividade do útero.
O ESPERMA DA MOSCA
Uma equipe da Universidade de Bath (Reino Unido) identificou 381 proteínas no esperma da Drosophi/a me/anogaster, mosca da fruta, o maior catálogo proteínico sobre essa substância. Cerca da metade dos genes do esperma da mosca da fruta tem versões comparáveis nos humanos e nos ratos. A pesquisa ajudará a entender os tipos de esperma e a compreender o sucesso ou não na gestação. Descobriu-se que, além de DNA, o esperma tem RNA e proteínas que influenciam na fertilização e no desenvolvimento embrionário.




