Soja: invista neste hormônio natural

Uma dieta bem planejada ajuda a compensar a queda do estrogênio a partir dos 40 anos, aliviando sintomas e prevenindo danos à saúde feminina.

Passada a celeuma provocada no mês de julho pelo respeitadíssimo Jornal da Associação Médica Americana, de que a terapia de reposição hormonal poderia aumentar o risco de câncer de mama, infarto e derrame, a busca por alternativas naturais para melhorar a qualidade de vida na menopausa é cada vez maior. Caprichar na alimentação é a primeira medida acertada para quem deseja aliviar os sintoma dessa fase difícil. Com relação a isso, estudos populacionais revelaram uma baixa incidência de câncer de mama nos países do Oriente - apenas 4 a 5 em cada 100 mil mulheres da Coréia morrem em decorrência de tumor nos seios, enquanto nos Estados Unidos a taxa de mortalidade é 1 para cada 35. Japonesas, chinesas e coreanas também sofrem menos de osteoporose e só 25% delas reclamam de ondas de calor e outros sintomas típicos da menopausa contra 85% das americanas. O que a alimentação tem a ver com isso? Bem, os índices menores de doenças foram atribuídos a um alimento originário da Mandchúria, na China, e consumido em larga escala nos países orientais: a soja.
Pesquisas feitas em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, mostram que o grão colabora no controle do colesterol, alivia as queixas decorrentes da falta do estrogênio e pode fortalecer os ossos, com a vantagem de que talvez proteja os seios contra tumores. O ginecologista Kyung Koo Han, do Setor de Climatério da Escola Paulista de Medicinal Unifesp, tratou 80 pacientes com isoflavona da soja: 85% tiveram melhora nas ondas de calor, dores de cabeça e insônia. Esse trabalho foi publicado em setembro na revista Obstetrics & Gynecology, editada pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas. O responsável por esses benefícios é a isoflavona, composto de origem vegetal com estrutura química semelhante à do estrogênio, daí o nome fitoestrogênio. Só que exerce uma ação mais suave do que o hormônio humano, explica a nutricionista Tânia Rodrigues, da RG Consultoria Nutricional, em São Paulo. "Quando absorvidas pelo organismo, as isoflavonas regulam as taxas do hormônio: suprem a falta, prevenindo os problemas relacionados à carência - sintomas de menopausa, osteoporose, doenças cardiovasculares... -, e reduzem o excesso, inibindo o crescimento celular e a proliferação de tumores induzidos pelo estrogênio humano."

Na dúvida, procure seu médico

A reposição hormonal evita os prejuízos decorrentes da baixa do estrogênio, que ocorre por volta dos 40 anos e se acentua aos 50, quando cessa a menstruação.
Ao registrar o aumento no risco de infarto, a famosa pesquisa americana soou como um balde de água fria. O que fazer, então?
O estudo deveria durar oito anos e meio.
Foi encerrado em cinco, porque os riscos do tratamento superavam os benefícios. Mesmo assim, não há razão para pânico, pois o trabalho avaliou só um esquema de reposição hormonal, que combina um tipo de estrogênio com um tipo de progesterona. Assim, é prematuro dizer que a pesquisa vale para todos as drogas usadas para reposição hormonal. Além dos hormônios tradicionais, existem outros fármacos que compensam a falta do estrogênio, como a tibolona e o raloxifeno, que protege os ossos sem ameaçar os seios. Para mais informações, visite seu médico.   
 
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