O caminho que conduz à feminilidade e um pouco mais complicado por isso algumas mulheres param no meio e se tornam frígidas.

Desvios no longo caminho até o desejo

Odesejo que uma mulher tem por um homem, sua capacidade de ser seduzida, de imaginar-se junto a ele numa cama, é o ponto final de uma longa viagem que em determinados momentos pode apresentar problemas. É claro que a sexualidade é algo mais do que dois corpos que se unem. Seria semelhante a um balé, cuja música é a fantasia. Em algumas ocasiões, a mulher excita-se ao imaginar o que o homem pode estar sentindo ao penetrá-la. Ela se identifica com esse homem e, assim, instalada em seu lugar, desfruta um belo corpo feminino, que por acaso é o seu.
O caminho que conduz à feminilidade é um pouco mais complicado que o masculino, por isso algumas mulheres param no meio e tomam-se frígidas. Para o homem, as coisas são mais simples porque seu primeiro amor foi sua mãe e, como no futuro também amará uma mulher, seu desejo nasce dentro de uma relação heterossexual. É verdade que para amar sua mulher deverá renunciar a sua mãe. Mas isso é menos complicado que a situação da mulher. Ela também tem na mãe seu primeiro objeto, no entanto, no futuro, seu objeto será um homem. Deverá deixar a mãe, substituí-la pelo pai, para depois substituí-la pelo marido.
Não podemos comparar a frigidez feminina com a impotência masculina, já que o homem ainda que impotente conhece o orgasmo via masturbação. No entanto, muitas mulheres frígidas jamais experimentaram o orgasmo.
Atribui-se essa dificuldade à repressão social que sempre foi mais forte sobre a mulher. Mas os fatores sociais só explicam uma parte da questão, a educação repressiva tem mais efeito nas mulheres que aproveitam esses argumentos para reforçar a prévia repulsa pela sexualidade. É difícil para um psicanalista afirmar que as mulheres se estruturam sobre a ausência do pênis sem que essa observação seja interpretada como uma ofensa. Trata-se da aplicação de um modelo binário que, naturalmente, opera sobre zero e um. Isso não significa que a mulher seja o zero e o homem o um e sim que a estrutura de ambos inscreve-se sobre a diferença que existe entre um e outro. São duas anatomias que vão produzir duas psicologias.
As mulheres que chegam, felizmente, ao fim da viagem gozam sua feminilidade. O que Ihes interessa é o homem e seu pênis, porque Ihes dá prazer. Poderão ter um filho e ficar bem instaladas na posição feminina. Não precisam competir com o homem, já que utilizam a diferença que existe entre ambos como uma complementação para si mesma.
Outro caminho feminino é permanecer na primeira estação de amor pela mãe, no Édipo negativo. Ao enfrentar a diferença sexual, por várias razões, como pelo rato de o pai ser uma figura insignificante ou a mãe muito forte, negam a existência do pênis. Não querem saber dele e ficam com sua sexualidade presa à mulher. A conseqüência é a homossexualidade.
Um terceiro caminho, muito comum, é não gostar de homens nem de mulheres. Ficar frígida. Freud nos dirá que essa é a opção neurótica - uma mulher que se revolta com sua condição feminina, recusando-a. A revolta dessa condição consiste em não gozar com o pênis. Como são mulheres neuróticas e insatisfeitas, freqüentam assiduamente os consultórios dos psicanalistas, procurando encontrar o lugar onde deixaram sua sexualidade.