Glaucoma congênito

Conheça a história de Mariana, 5 anos, deficiente visual, que aproveita o balé para conhecer o mundo.

  O parto da Mariana foi emocionante. O médico fez uma oração antes de ela nascer. Quando veio para os meus braços, vi uma criança linda, com olhos azuis e cabelos loiros. Parecia um anjo. No terceiro dia de vida dela, percebi uma brusca mudança em seus olhos. Aos 2 meses de vida, ela operou as vistas duas vezes por conta de um glaucoma congênito. Ele aumenta a pressão ocular, liberando um líquido que, quando não é bem drenado, desarranja a estrutura dos olhos. O maior baque foi quando disseram que Mariana não iria enxergar. Eu só pensava: como vai ser a vida da minha menina? Contar para a família não foi fácil, afinal não tínhamos contato algum com qualquer tipo de deficiência. Não tive tempo para chorar. Parei de trabalhar e comecei a lutar por ela. Minha casa foi transformada para minha filha.
No quarto dela, por exemplo, existem milhares de brinquedos. Uma casinha de boneca tem até lava-louças. Afinal, tudo que ela conhece é pelo tato e, quanto mais oportunidades forem dadas, mais aprenderá. Tento estimulá-la em tempo integral. Já praticou natação, faz balé e outras atividades que melhorem sua vida. Ela é terrível, super brincalhona. Percebo progressos diários: no andar, na maneira de se articular. É uma criança normal.
A deficiência tem de ser reprimida, e não omitida, para que ela seja como as outras crianças.
    Hoje Mariana estuda em uma, escola normal, com amigos que enxergam e a ajudam. Minha filha é uma menina feliz.

Palavra de especialista


O glaucoma congênito é uma doença ocular rara que pode levar ao comprometimento da visão ou cegueira total. Um pediatra, que atenda todos os dias, encontra 1 caso a cada 5 anos. Trata-se de um acúmulo de líquidos produzido pelo olho que, quando não é eliminado, causa um desarranjo nas estruturas do olho. Alguns sintomas comuns são: olho grande nos primeiros dias de vida, lacrimejamento, perda da transparência da córnea – olhos ficam azulados- e excessiva sensibilidade à luz. O caso de Mariana é um dos mais graves, mais graves, mas existem variações quando às alterações fisiológicas, morfológicas e anatômicas que o glaucoma causa. O tratamento geralmente é cirúrgico.
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