Em busca de tranqüilidade

 Os transtornos de ansiedade podem ser curados. Até a metade do século XX, o único tratamento que parecia surtir algum resultado nas síndromes de ansiedade era a terapia psicanalítica. Nem os poucos e drásticos métodos vigentes então (coma insulínico, eletrochoque), nem os remédios (principalmente barbitúricos), eram eficazes. Um primeiro avanço foi dado com a introdução dos benzodiazepínicos, remédios ansiolíticos por excelência. Todavia, mesmo deixando de lado o fato de que não são eficazes para todas as formas de transtorno (como ataques de pânico, por exemplo), eles têm um limite: agem apenas na supressão do sintoma, isto é, não influem sobre os mecanismos que explicam a doença nem sobre as causas do transtorno. Isso significa que, se confiarmos apenas nesse tipo de remédio, assim que seu uso for suspenso a ansiedade retornará.

Felizmente, o leque de opções farmacológicas à disposição do médico é hoje muito amplo. Além disso, houve progressos no campo das terapias psicológicas de apoio. Simplificando um pouco a complexa história da farmacologia psiquiátrica, pode-se dizer que a constatação da freqüente associação entre ansiedade e depressão levou ao estudo do uso de moléculas originalmente empregadas como antidepressivos também para os casos de transtorno de ansiedade: alguns desses antidepressivos revelaram-se eficazes. "Em medicina", observa Laura Bellodi, "não faz mais sentido falar de 100% de cura, mas podemos dizer que, em nosso centro, por exemplo, 80% de nossos pacientes ficaram satisfeitos, isto é, reconheceram, ao fim da terapia, uma sensível melhora na qualidade de vida. Mas é preciso acrescentar que, em geral, é conveniente após a cura que o paciente siga uma terapia de manutenção para evitar recaídas."

Se, de fato, não se morre de ansiedade, os que sofrem do transtorno podem ver seriamente limitadas suas atividades e sua capacidade para manter relações sociais. Em alguns casos o transtorno assume formas que paralisam a vida da pessoa. "Em nosso centro vemos toda a gama de situações. Há os que nos procuram porque identificaram os próprios sintomas após ler no jornal os serviços dedicados ao problema, mas há os que também apresentam um quadro particularmente grave, que já experimentaram, em vão, muitas terapias ou que precisam ser internados."

A internação é reservada àqueles que não suportam a vida cotidiana ou que estão tão condicionados por rituais compulsivos que não conseguem fazer praticamente mais nada. Laura Bellodi explica que" os períodos de internação são limitados: cerca de dois meses para os ataques de pânico até seis meses para algumas formas de transtorno obsessivo-compulsivo. O procedimento terapêutico que adotamos é integrado. A terapia psicológica de tipo cognitivo-comportamental é associada à administração de remédios".
Por um lado, esse tipo de terapia pode mudar os esquemas de pensamento que aprisionam as pessoas no próprio medo e, por outro, alterar a reação aos fatores que desencadeiam a ansiedade. Em outras palavras, do ponto de vista cognitivo, quem sofre de fobia social pode ser auxiliado a superar a convicção de que é constantemente observado e julgado. Do ponto de vista comportamental, essa pessoa será exposta, gradualmente e de forma controlada, a situações que teme, com a ajuda do terapeuta, para superar a crise de ansiedade que se segue. ….

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