No início do inverno, a pequena Stephanie, de 1 ano e 7 meses, voltou do berçário com uma anotação na caderneta: cocô mole. O dia seguinte, amanheceu com diarréia, febre baixa e vômito. O pediatra logo desconfiou: rotavírus. "OS sintomas ainda duraram dez dias, um sofrimento", lembra a mãe, a odontopediatra Fabiane Cohen Szwarc. Ela própria também foi contaminada pelo vírus, provavelmente trazido da escola pela filha, e teve de ficar um dia de repouso.
Stephanie foi tratada à base de muita água, suco de limão e bebidas isotônicas, além do remédio de fórmula semelhante ao soro caseiro. "Por sorte, ela não ficou desidratada. Perdeu apenas 150 gramas, mas logo se recuperou", comemora a mãe.
O rotavírus é a principal causa de infecção intestinal aguda em crianças, provocando febre, vômitos e diarréia. Em casos mais graves, pode levar à morte por desidratação. Os sintomas se manifestam após três ou quatro dias, persistindo até uma semana. A boa notícia é que o vírus, responsável pela morte de 600 mil crianças por ano no mundo, parece estar com os dias contados. O Ministério da Saúde acaba de registrar uma vacina que combate o agente infeccioso, a Rotarix. O lançamento ocorreu em junho passado, no 8º Simpósio de Vacinas, em Belém, no Pará.
Democracia
"O rotavírus é considerado democrático, pois afeta todas as idades e classes sociais", diz o médico virologista Alexandre da Costa Linhares, do Instituto Evandro Chagas, em Belém, coordenador do estudo que desenvolveu a vacina no Brasil. Isso ocorre, pois nem mesmo condições sanitárias adequadas diminuem os casos da doença, já que ela se alastra facilmente. A transmissão se dá por vias orais e fecais, quando água e alimentos são contaminados, pelo ar e por contato", explica a pediatra infectologista Regina Succi.
Por causa da fragilidade, crianças estão mais suscetíveis aos sintomas, especialmente as menores de 2 anos. Nos países em desenvolvimento, em média, 30% das hospitalizações por diarréia infantil estão relacionadas ao vírus.
A Rotarix será administrada oralmente, em duas doses, nos primeiros seis meses de vida. Em crianças maiores, a eficácia não foi comprovada. Mesmo assim, os resultados são promissores. A expectativa é que ela diminua até 25% a mortalidade infantil por diarréia, segunda causa de morte de crianças no mundo", diz Linhares. Por isso, estima-se que a vacina, a ser comercializada a partir deste mês, seja incorporada aos calendários de imunização do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria, ainda neste semestre.
Hidrate já!
A desidratação é o sintoma mais grave das infecções intestinais provocadas pelo rotavírus. Ela ocorre quando a eliminação de água do organismo é maior do que a ingestão. Boca seca, letargia e diminuição da urina são sinais de alerta. Além de reduzir as reservas de água do corpo, ela reduz os níveis de minerais importantes, como sódio e potássio.
A principal recomendação é oferecer bastante líquido (água, chás, água de coco, sucos e isotônicos) à criança, a fim de repor a quantidade perdida pelas fezes e pelo vômito. Se for o caso, o pediatra poderá indicar o soro caseiro de hidratação oral, recomendado pela Organização Mundial da Saúde, à base de água, sal e açúcar, ou medicamentos de fórmula semelhante.




