Publicidade
Fundado em 1956, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nuclear (IPEN) completa sete décadas como um pilar da ciência, tecnologia e saúde no Brasil. Vinculado à Universidade de São Paulo (USP) e à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o instituto abriga o primeiro reator nuclear de pesquisa do país e se destaca nacionalmente como o principal produtor de radiofármacos para o diagnóstico e tratamento de câncer e doenças cardíacas.
Além do impacto direto na medicina, o IPEN desempenha papel estratégico em pesquisas de energia limpa e no desenvolvimento de tecnologias industriais e ambientais, como o tratamento de efluentes por feixes de elétrons.
Em entrevista à Sputnik Brasil, Isolda Costa, diretora-superintendente do IPEN, destaca o pioneirismo do instituto em trazer para o Brasil a medicina nuclear. Ela explica que antes o Brasil precisava importar radiofármacos.
“Então, quando o Brasil consegue receber, dentro do Programa Átomos para a Paz, o primeiro reator nuclear de pesquisa do Hemisfério Sul, e instala esse reator dentro do campus da Universidade de São Paulo, ele possibilita que a gente avance tanto nas pesquisas na área nuclear como que a gente comece a produzir radioisótopos para radiofármacos”, conta a diretora.
Ela acrescenta que isso possibilitou um avanço muito grande, introduzindo a medicina nuclear no Brasil, e hoje o instituto produz e distribui cerca de 85% da demanda nacional por radiofármacos.
Costa aponta que outro grande feito do IPEN ao longo desses 70 anos foi desenvolver, junto com a Marinha do Brasil, o ciclo do combustível nuclear.
“Nos anos 1960 já se começou a fazer as pesquisas no sentido de se dominar todo o ciclo do combustível. Então, foram construídas instalações, plantas-pilotos, usinas-pilotos, para que se avançasse de pequenas produções a nível laboratoriais para uma escala-piloto, e depois essa tecnologia foi transferida para a Marinha”, afirma.
Há conquistas do instituto também no campo da engenharia. Costa aponta que o IPEN construiu um novo reator de potência zero, que tem uma potência máxima de 100 quilowatts e é voltado para sistemas hidráulicos e testes de elementos combustíveis. Ela destaca que esse reator permite fazer comparações até mesmo com materiais de outros países.
Costa destaca que o IPEN tem parcerias internacionais que ajudam na internacionalização do instituto no que diz respeito ao desenvolvimento de pessoal qualificado, interagindo com as tecnologias mais avançadas nos diversos países, entre eles a Rússia.
“Nós temos parcerias muito fortes com a Rússia, antigas, ela é um dos nossos principais fornecedores de radioisótopos, então, são essenciais para a produção desses radiofármacos que nós produzimos semanalmente. É o nosso principal fornecedor de molibdênio para a fabricação dos geradores de tecnécio”, observa a diretora.
A parceria também se estende para a educação, e Costa cita como exemplo um programa de formação de pessoal.
Ela acrescenta que a Rússia também é um parceiro importante do IPEN na área de medicina nuclear e de reatores, que ela aponta como uma das especialidades russas.
“Então, acho importantíssimo internacionalizar, é muito fundamental para a gente também criar, formar pesquisadores com uma visão mais ampla do que se faz no mundo”, pondera.
Costa diz que o IPEN se tornou um polo na América Latina, com potencial para criar novos centros na região, além de colaborar com um programa para diagnosticar a contaminação por microplásticos nos oceanos, que o Brasil pretende liderar. Ela conta que há dois anos o instituto tem um centro colaborador com várias parcerias com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em segurança física, cibernética e pessoal.
Costa enfatiza que o IPEN tem um programa muito forte na parte de geração de hidrogênio verde, com previsão de ser ampliado para incluir o estudo de amônia verde.
Ela sublinha que a participação do Brasil na vanguarda da transição energética é muito importante, destacando que o país hoje tem mais de 80% da energia originária de fonte renovável.
“Isso inclusive se torna um apelo para outros países que têm que investir na descarbonização das suas energias, porque as parcerias com o Brasil nessa situação significam que eles podem também se beneficiar de um país que tem como base da sua energia uma energia renovável.”
A diretora acrescenta ainda que o IPEN vai investir também na separação e purificação de terras raras.
Fonte: Sputnik Brasil.
Publicidade
