Namorar em casa era uma forma garantida para o namoro ser considerado sério numa família. O rapaz pedia autorização para namorar. Os pais da garota consentiam, ele passava a conviver com a família. Assim, os pais conheciam o rapaz, os costumes eram assimilados de ambos os lados e havia um "preparo" para o casamento e a vida em família. Com o passar do tempo, o casal até arriscava algumas intimidades no sofá da sala, depois que os pais dela iam dormir.
Hoje, nos grandes centros urbanos, transitar pela cidade à noite deixou de ser tranqüilo e seguro. E, aos poucos, novas formas de permitir o relacionamento afetivo dos jovens foram sendo construídas. Bares, danceterias e outros locais de encontro social permanecem abertos até cada vez mais tarde. Mas o problema com segurança foi se tornando cada vez mais preocupante e, paulatinamente, a idéia de o garoto passar a noite na casa da garota foi sendo assimilada por muitas famílias.
Claro que, no início, dormir no sofá da sala era o normal e “adequado”. E os pais não tinham intenção de que a filha adolescente e o namorado ficassem juntos numa situação mais íntima. Mas aos poucos isso foi ocorrendo. Fim do século XX… E do sofá da sala para o quarto da menina tem sido um pulo. Então, muitos pais já aprovam e mesmo incentivam que o casal use o quarto – assim eles também não se sentem invadidos. Para os pais essa situação é percebida como uma solução que, ao mesmo tempo, lhes permite ter mais controle sobre o comportamento da filha.
Essa atitude dos pais tem-se tornado tão comum que o local onde mais ocorre a primeira relação sexual da mulher é a própria casa. E não são poucos os exemplos que deixam claro o quanto é possível existirem relacionamentos afetivos e sexuais bastante sérios iniciados dentro de casa.
Há pouco tempo, atendíamos uma moça de 19 anos, integrante de uma família bastante tradicional, que chegava ao consultório após seis anos de experiências sexuais. A queixa era a de não conseguir ter orgasmos. Para ela, perceber a dificuldade sexual foi fácil, com o auxílio da mãe, que já conhecia o trabalho de terapia sexual. Conversamos com a adolescente e ela nos contou que sua mãe deixava que ela e o namorado dormissem juntos em seu quarto na casa da família. A mãe também comprava livros sobre educação sexual e deixava o jovem casal tranqüilo para a realização dos exercícios necessários para a adequação da vida sexual deles.
A jovem adulta confiava na mãe, por quem demonstrava muito afeto. A mãe, por sua vez, não tinha o conhecimento de que a filha fazia sexo com o intuito de puni-la ou deixá-la triste. Sempre que existia a necessidade de uma "bronca", nunca o aspecto sexual era usado como argumento.
Essa não é uma história comum entre as mulheres mais velhas e nem entre as mais jovens cujas mães reprimiram a expressão de sua sexualidade e não permitiram que o sexo ocorresse em casa. Pode ser uma nova fase da história da nossa cultura, e uma fase com melhores frutos do que as fases anteriores. Problemas sexuais continuarão a acontecer, mas hoje são mais rapidamente e muito mais facilmente solucionáveis.
Não estamos afirmando que essa postura mais liberal será a nova regra social. Os valores de cada família devem ser preservados. Assim como os valores religiosos, que muitas vezes conflitam com essa atitude.
Quando os jovens namoram em casa e dormem na casa da namorada
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