Comer uma barra de chocolate e não engordar ou acordar às 6h20 da manhã para correr 10 quilômetros? Se há seis meses alguém me perguntasse qual milagre era mais provável na minha vida, eu ficaria com a hipótese do chocolate, sem precisar pensar para responder. Nas várias tentativas de freqüentar a academia direitinho, sem faltar, nunca passei muito da fase "amanhã eu vou, juro".

Um dos principais problemas era sair da cama cedinho. Em outubro do ano passado, cansada de brigar com a balança, resolvi mudar essa história. Precisava achar algum exercício que eu curtisse fazer - tarefa que me parecia meio improvável. Como todos os meus amigos que corriam diziam que aquilo viciava, resolvi arriscar. Quer dizer, arriscar não. Resolvi me dedicar para dar certo. E deu. Em me­nos de cinco meses de treino, já estava inscrita na minha primeira competição, a Volta à Ilha, em Florianópolis (SC), uma prova de revezamento com um percurso de 150 quilômetros.

Tem gente que dá a explicação científica a essa paixão tão rápida pela corrida - que ela libera a endorfina, o hormônio do bem-estar. Para mim, teve ver com os resultados. Se a gente dedica direitinho, eles vêm rapidamente. O fôlego e a disposição aumentam e a gordura diminui. Certo, é verdade que a academia também traz ótimos re­sultados. O problema é que a Ida ou não à acade­mia dependia apenas da minha motivação - e, ad­mito, ela nunca foi um ponto forte. Já na corrida, descobri dois grandes aliados que deram um empurrão gigantesco na minha força de vontade capenga: o grupo e as provas.

A união faz a força

O primeiro aliado foi escolher um grupo de corrida (a equipe Toscano), num lugar que eu achava maravilhoso, a lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, com aquele visual lindo e uma pista ótima. Todo grupo tem um instrutor, que acompanha a nossa evolução e passa um treino personalizado. Mas o empurrão vem mesmo da equipe. Imagina todo mundo chegando para correr no mesmo horário, no mesmo lugar. Saímos em grupo e, sempre que eu acho que não agüento mais nem 2 metros, olho para o lado e tem alguém lá dizendo "vamos lá". E, se eu faltar, sei que no próximo treino vou ficar para trás. Então eu não falto.

Em busca da medalha

Outro incentivo são as provas. Dizem que, depois que você faz a primeira, não consegue mais parar. Comigo foi assim. No começo de abril, caí meio sem querer na Volta à Ilha. São mais de 12 horas de corrida (revezando os corredores, claro). Entrei de última hora, porque um dos inscritos do meu grupo da lagoa se machucou. Eles sabiam que eu era café-com-leite, certo? Não tinha nada a perder.

SOS balança

Sem hipocrisia: melhorar o condicionamento físico é maravilhoso, mas o que nove entre dez mulheres procuram na corrida é emagrecer. E se a gente troca a vida sedentária por 40 quilômetros de corrida por semana, a coisa só pode funcionar, certo? ErradoCorrer emagrece, claro. Mas comer continua a engordar - e a gente se esquece disso quando começa a treinar, fica com a consciência leve porque acha que queima tudo no exercício e aí exagera.

 Nos primeiros quatro meses de treino eu ganheí 3 quilos. O apetite aumenta e, para ganhar mais energia, eu me entupi de carboidratos (e de chocolates fora de hora), achando que ia eliminar tudo no dia seguinte. Comecei a ter cãibras durante os treinos. Foram o alarme para eu procurar uma nutricionista. Ela me passou uma dieta de cerca de 1 300 calorias diárias - já que eu queria emagrecer -, mas com alimentos que me dessem energia.
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