Em vinte anos de atendimento em consultório particular e clínicas psiquiátricas, sobretudo por ter vivido intensamente muitos amores e estar desfrutando do amor, taprendi que o sentimento de ciúme ocorre, invariavelmente, quando da existência de pelo menos de um dos seguintes fatores, a saber:
• o amor próprio está em baixa;
• a possibilidade de perder o objeto de amor se torna perturbadora;
• o auto-respeito foi deixado de lado;
• a desconfiança no outro ocorre na mesma medida que não podemos confiar em nós mesmos;
• quando não estamos nos fazendo confiáveis;
• quando o compromisso de lealdade e fidelidade foi quebrado primeiro por nos mesmos;
• o ciúme acontece quando descobrimos que não podemos controlar os sentimentos e desejos do outro;
• por não estarmos centrados no amor e sim no controle e na raiva. INSEGURANÇA + CONTROLE + RAIVA = CIÚME
A dor é, muitas vezes, inevitável, faz parte da vida, ela vem, principalmente, com as perdas afetivas. Já o sofrimento é opcional, é uma forma de reação à dor, quando optamos por assumir o papel de vítima do mundo. Aquele que age, pode decidir. A dor pode ser ressentida, desatinada, cultivada, vingada, porém nós podemos não acrescentar mais infelicidade à dor da perda do amor, ao nos culpar por não ter feito isso ou aquilo, pois certamente os dois fizeram o melhor de si e o possível. Cada história de amor nos prepara para o melhor e para o pior de nós mesmos. Mas, nos prepara, também, para o amor seguinte, que, forçosamente, será mais belo e benéfico.
As feridas amorosas, o tempo ajuda a curar, porém a postura de desapego, otimismo, de esperança na vida, além da certeza do amor sempre vencer, inicialmente conosco e em segundo com outra pessoa, é o principal ingrediente, o tão famoso amor incondicional, aquele que apesar de não ter mais o ser amado presente para receber o meu amor, continua respeitando a vida, os sentimentos e decisões do outro, e mais que tudo, desejando ao outro, mesmo longe de si, seja feliz. É honrado, corajoso e bom aceitarmos o fato de quando o amor se vai, não esqueçamos, de que o próximo está à caminho. Desistir do amor, jamais!!!
O amor ocorre de forma inteira e recorrente, se, e somente, se, o ser amado for livre para deliberadamente nos acompanhar. Nenhuma forma de terror, violência ou aprisionamento alimenta o amor e sequer faz parte dele, ao contrário, sufoca e mata o amor, que é livre por natureza, e esmorece ao ser engaiolado, mesmo em palácios de cristal ou gaiolas de ouro.
Certa vez, ouvi de um amado amigo, com muito carinho ao partir para outra cidade, depois de dar-me uma planta, recomendou, "cuide dela como de você mesma, e lhe desejo de que você muito se ame e muito faça por se amar". Desde então, tenho sido obediente e tem dado certo.
