"Não. Ela não está arrumada! Deixa eu pentear para a foto!". A cachorrinha Pilar faz parte da cultura de embelezamento dos animais. Sua dona afirma: "Um lacinho é tão barato e fica tão bonitinho!", mostrando o laço cor-de-rosa colocado na cadela que, quando envelhecer, terá os pêlos pintados de preto. "Ela vai ficar toda prata e eu não gosto", diz Luciana.
Muita gente encara essa atitude de humanização no tratamento dos animais como uma extravagância, mas a advogada Ana, que largou o Direito pelos bichos, garante que isso é apenas uma retribuição pelo companheirismo que eles nos proporcionam. "O animal é uma pessoa da família. Ele está na sua casa, sobe na sua cama. Isso é só uma celebração desse reconhecimento", diz ela.
Ana, dona da clínica veterinária e pet shop, Dog Show Pet Shop, na 414 Sul, tem mais duas sócias que também abandonaram a área de formação para se dedicar aos animais de estimação, os pets. A advogada, a bióloga e a publicitária trabalhavam como voluntárias em um projeto de proteção animal, mas concluíram que aquilo não era o suficiente e resolveram abrir a loja para ajudar a causa ainda mais.
Na clínica, é possível encontrar desde tratamentos fitoterápicos, para problemas de pele, até queratinização dos fios, que deixa o pêlo com aquele aspecto de propaganda de xampu que é visto nos concursos de beleza animal. Mas o serviço mais procurado é a hidratação periódica dos pêlos, feita com uma máscara hidratante.
Além destas, há ainda milhares de outras opções criativas, como o procedimento de tingimento fantasia, que pode transformar um poodle branco em azul, ou comprar um perfume que imita a essência do sabonete Dove. "Mas a estética tem de estar sempre associada à proteção animal", garante.
A indústria do embelezamento animal gerou, inclusive, uma nova profissão, o esteticista animal. São Paulo ainda é o maior mercado para o comércio voltado para os pets, realizando até discotecas para que cachorros possam conhecer outros e se reproduzir. Contudo, Brasília não fica muito atrás em inovações: "Criamos um diferencial que é o strass para pêlo.
Muitos donos de cadelas de pêlo curto reclamavam que não podiam colocar laços nas cachorras, então nós elaboramos esses adesivos. Tem gente que gosta que ponha no meio da testa, para parecer uma indiana, ou na orelha, como se fosse um brinco. Gostaram tanto que uma cliente apareceu dizendo que queria comprar um para o seu bebê", afirma Ana.
De fato, cada vez mais o animal se torna um membro da família, tendo um tratamento quase humano. Na clínica, ouvem-se histórias de cães viciados em café, chocolate e frutas. Alguns não conseguem ouvir o barulho de um plástico abrindo que já correm alvoroçados. Por isso, investe-se muito em artigos alimentares para festas de bichos: "O panetone de chocolate fez o maior sucesso no Natal. Tinha gente levando sete ou oito pacotes! Mas é tudo adaptado ao organismo dos animais. Não contém açúcar e o nível de gordura é bem menor. Eles são mais sensíveis.", lembra a ex-advogada.
Nesse ramo que o animal é o freguês, todas as atenções são voltadas para ele e não se dispensam cuidados. Por isso, a pet shop é, toda armada de câmeras de vídeo. "E para os donos saberem que o pet será bem tratado. Se eles desejarem, nós temos as fitas para mostrar tudo o que aconteceu. E uma questão de segurança. Toda mundo gosta de saber que o seu bicho de estimação vai ficar bem", explica.
Só tendo um pet para entender essa preocupação e cultura de estética: "De fora, não dá para perceber essa relação entre o homem e seu animal. E incondicional.", conclui a amante dos bichos.
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