Isso significa que o mal atinge cada vez mais pessoas e que, mesmo correndo risco de dependência, os pacientes procuram alívio na química. Pesquisa realizada na Itália pelo SERT (Serviço Territorial de Toxicodependência) assinalou que 3% dos usuários de ansiolíticos desenvolvem dependência, enquanto estudos do hospital San Martino, de Gênova, demonstraram que esse número chega a quase 5% da população com mais de 65 anos.
"As razões são simples", explica Nicoletta BrunelIo, membro da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e farmacologista da Universidade de Modena e Reggio Emilia. "Alguns ansiolíticos exercem ação hipnótica, isto é, induzem o sono. Idosos, por exemplo, têm dificuldade para dormir por razões diversas, ligadas a problemas psicológicos e a mudanças fisiológicas do ritmo do sono. Por isso começam a tomá-los e se tomam dependentes." Os ansiolíticos, porém, não são todos iguais, ainda que pertençam à mesma classe terapêutica, como também não são semelhantes todos os transtornos de ansiedade. São, de fato, várias as definições do manual de classificação das doenças psiquiátricas (OSM-IV) que correspondem às diversas manifestações de desconforto.
Segundo a literatura científica, algumas substâncias farmacológicas têm efeitos positivos em certos tipos de ansiedade, não em outros. Por isso, a escolha do remédio adequado deve seguir um diagnóstico correto e um enquadramento preciso da parte do clínico geral ou, nos casos mais complexos, do psiquiatra. Essa recomendação não é muito seguida pelos pacientes, tanto que nos Estados Unidos, onde se estima que existam cerca de 20 milhões de ansiosos, o Instituto Nacional de Saúde Mental resolveu publicar uma espécie de guia de autodiagnóstico, com breves descrições dos vários sintomas.
