Essa é a doença do momento. Seu conceito foi descrito pelo médico alemão Hebert Freudenberg como um estado de fadiga ou de frustração motivada pela consagração a uma causa, a um modo de vida ou a uma relação que não correspondeu às expectativas. Para mim, o resumo dessa síndrome é simples: fazemos coisas demais ao mesmo tempo e isso acaba com a saúde física e emocional da gente.
E quando não fazemos coisas demais ficamos com um sentimento de culpa, de inutilidade. A verdade é que, como a televisão, a vida antigamente tinha apenas um ou dois canais, agora tem cem, duzentos, mil. Queremos fazer tudo ao mesmo tempo como aquele joguinho Pack Man em que o bonequinho ia comendo as coisas que via pela frente. Queremos fazer tudo ao mesmo tempo e as coisas têm que ser muito, muito rápidas.
A TV multicanais trouxe isso, a internet, o MSN, a velocidade da tecnologia, do Ipod e do sei lá mais o que também. Só que uma hora cansa. Cansa e você vê todo mundo louco e correndo e quando essas pessoas te olham e te vêem parada acham que você está de papo pro ar. Pois é... Outro dia eu falei pra um amigo que ficaria domingo em casa me curtindo, curtindo a casa e a gata. Ele virou e disse: "Sei vagabundando..." . Como assim? Então, perdemos o direito de praticar o nada, de ficar só em silêncio em pleno domingo? Trabalhamos desgovernadamente. Nossa agenda é lotada de compromissos durante a semana e mais ainda no fim de semana. Não damos conta dos amigos reais, mesmo assim arrumamos mais uma penca de amigos virtuais.
O slogan do uísque Johnnie Walker deveria ser: Johnnie Running. Aí agente não entende por que ingorda, que fica doente, por que nossas relações ficam cada vez mais superficiais, assim como nossa produtividade e assim como nossa própria vida. Olhando a vida como uma laranja, começamos a viver na casca, na superfície, jamais na polpa, no centro na essência. No mês passado, eu entrevistei o cacique Raoni. Ele me disse uma coisa que fiquei besta: "Se você vai na minha aldeia come, bebe e dorme de graça. Por que tenho que pagar pelas coisas na cidade grande? Por quê, se é tudo do meu direito?".
Quando o cacique falou isso fiquei passada porque é uma grande verdade. Nos matamos de trabalhar pra comprar o carro do ano, o Ipod do ano, o celular do ano, a bota e o colar do ano. E depois? Depois ficamos cansadas, cheias de prestações, frustrações e com um carro que em alguns meses já não vale lá grande coisa. A pergunta de vez é: por que nos matamos tanto por nada? Por que esquecemos que a coisa mais importante da vida é a vida? Acho que está na hora da gente parar os motores e pensar em todas essas coisas. Sim, dá pra fazer menos. Dá pra ser mais calma. Dá pra ter menos. Dá pra ser feliz. Feliz já!




