Uma boa risada valer mais que um espinafre

Dias desses na hora do almoço, no meio de uma daquelas brigas insanas que travamos com nossos filhos por conta de comida, em que se cometem frases do tipo "vai comer, sim", "eu não estou perguntando estou mandando"! ou "é só mais essa" e "se não comer a verdura não vai ter sobrimesa...", e blá blá blá, me peguei tendo um ataque de risos daqueles...

Foi assim mesmo: passei da briga e da irritação mais profunda para um riso de chorar, de doer a barriga, de passar mal, sabe? Tudo em um segundo em escalas. A Antonia também começou a rir junto, acabou embarcando na menina. Primeiro meio assustada, claro. Ela devia estar achando que a mãe tinha pirado de vez... Depois por contágio mesmo, afinal, riso assim pega. E finalmente acho que ela como eu, sacou o total ridículo daquela situação.

Ah, francamente: ficar brigando com minha filha, num dia lindo, por causa de um punhado de brócolis? O que é isso? Você não imagina como eu estava: queria torcer o pescoço da menina pq ela não abria aquela boca de jeito nenhum! E o que era um simples almoço estava virando uma luta, uma guerra de poder, com choro, chateação de ambas as partes, enfim, uma coisa ridícula! Quando me toquei e vi a cena de fora, não deu... Quanta energia boa disperdiçada! O minímo que podia fazer era ter um ataque de risos. Aliás, mil vezes tenho vontade de rir, porque esse negócio de educar, se levado muito a sério, no mau sentido, nos faz parecer uns bobos mesmo.

Claro que Antonia acabou comendo o raio do espinafre. Depois de tanta risada, ele deve ter decido mais leve...Também é claro que sei que faz parte do nosso show educar e segurar a onda, apesar de achar que seria ótimo ter filhos que se criassem por algum processo automático, e que todos fossem naturalmente gentis, de dentes bons, saudáveis, que comessem tudo, comprimentassem as pessoas dirito, etc.etc.

Mas não é assim, e está na nossa mão encarar o ridículo de se flagrar quase esganando uma criança que agente ama por conta de um pedaço de cenoura. Pois é, faz parte. E assim, entre um ataque de riso e outro, aprendi na marra que, nessa de educar, nossos conceitos democráticos vão para o inferno, e agente tem de sustentar o "é assim e acabou". Como ninguém quer filho mimado, bocó e bobo...Não tem jeito!

Minha mãe que tinha uma senhora sabedoria para viver e não estava nem aí pra pirraça de filho, dizia assim: "cara feia pra mim é fome, tá com fome?" Eu ficava furiosa, mas...Como via que não colava, acabava trocando de assunto. Ok, ok, não existem regras...Mas, com certeza, pegando leve tudo fica mais fácio, melhor.

Depois desse ataque de riso, os almoços lá em casa melhoraram bastante, deixaram de ser uma guerra. De vez em quando ainda rola uma batalha, mas Antonia está comendo melhor e eu, bem menos irritada.

Aliás, acho que ela só está comendo melhor porque fiquei menos irritada. Porque mostrei a ela, com nosso ataque de riso, que mesmo tendo de fazer meu papel de mãe e comprir minhas obrigações, também sei rir de mim mesma e estamos no mesmo barco. Os papéis são diferentes mais isso é circunstancial...Sei lá.

Sei que rir faz bem, sempre. Rir com o filho, então... È uma maravilha completa. Ah! Outra coisa que também faz uma baita diferença: se você misturar o espinafre com feijão, eles comem tudo e nem sentem...

 

 

 

 

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