Nesse sentido, embora a ilha groenlandesa ainda seja dinamarquesa, o recente acordo firmado representa uma grave perda de soberania por parte de Copenhague, com impactos globais, segundo João Cláudio Pitillo, doutor em História Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e coordenador do projeto Geoestratégia Estudos, em entrevista à Sputnik Brasil.
Para o analista internacional, o aumento da presença norte-americana em Nuuk, além de transformar a região em um protetorado da Casa Branca, também pode estimular os movimentos separatistas já existentes na relação entre o governo autônomo groenlandês e o central dinamarquês.
No passado recente, líderes europeus tentaram demonstrar unidade e solidariedade à Groenlândia diante da pressão estadunidense, o que incluiu uma visita do presidente francês Emmanuel Macron a Nuuk. No entanto, para Pitillo, o desfecho atual não apenas expõe a fraqueza crônica de uma Europa incapaz de conter o expansionismo de seu principal aliado, mas também como esse acordo é perigoso por não ter sido divulgado integralmente.
Outro ponto levantado pelo especialista é que, além da fragilidade política do bloco europeu, houve também complacência entre os Estados-membros. Como a Dinamarca pertence tanto à OTAN quanto à União Europeia, o desfecho do caso evidencia a atual inércia da Europa diante das pressões externas.
O especialista adverte ainda que transferir o controle securitário da Groenlândia para os Estados Unidos catalisa a militarização da região, por se tratar de uma estratégia de contenção hostil direcionada à China e à Rússia, que utilizam a Rota Marítima do Norte como um vetor importante de comércio global.
Diante do recrudescimento da geopolítica global, que se torna cada vez mais complexa sob pressões políticas e incursões militares, o caso da Groenlândia suscita debates profundos. Entre eles, destacam-se os limites da soberania local e o risco iminente de militarização da estratégica região do Ártico.
Fonte: Sputnik Brasil.




