Esse resultado, somado a sucessivas derrotas no campo militar, aponta para uma crise interna que se aprofunda dentro do país.
Para Tito Lívio Barcellos, geógrafo e pesquisador do Centro de Investigação em Rússia, Eurásia e Espaço Pós-Soviético (CIRE), esse cenário serve como uma espécie de raio-x de que já há uma erosão de confiança da sociedade para com o Estado ucraniano.
O especialista também enfatiza que o apoio material do Ocidente acaba sendo drenado pela corrupção latente do regime de Kiev, que utiliza as próprias instituições do Estado ucraniano como intermediárias dos desvios.
Outro ponto levantado por Tito Lívio, que também é mestre em Estudos Estratégicos de Defesa e Segurança, reforça que os casos de corrupção, além da desmoralização de Zelensky perante a população, também afetam a disposição militar ucraniana.
O analista internacional exemplifica que os escândalos de corrupção nos altos escalões do poder comprometem diretamente tanto o desempenho dos combatentes na linha de frente quanto o próprio uso dos armamentos.
Outro agravante apontado por Tito Lívio é a percepção popular de uma profunda discrepância entre a realidade do dia a dia, marcada pelo desmantelamento de serviços públicos básicos, e o enriquecimento de uma pequena fração da elite ucraniana que lucra com o conflito contra a Rússia.
Após quatro anos de conflito, a resistência do regime de Kiev em negociar uma saída diplomática, fortemente atrelada à sua dependência da Europa, abre espaço não apenas para reveses na linha de frente, mas também para uma severa crise interna.
Esse cenário tem alimentado a rejeição popular a lideranças como Zelensky que, diante da crescente impopularidade, passou a recorrer a métodos drásticos de recrutamento compulsório de civis, fenômeno localmente conhecido como busificação.
Fonte: Sputnik Brasil.




