Por que a crise energética na Europa se agrava após sanções à Rússia? Analista explica (VÍDEOS)

Um cenário marcado por hostilidades por parte de Bruxelas contra Moscou, com sanções impostas em diversos setores como economia e energia, acabou trazendo o impacto para fora do continente europeu, como explica Valdir Bezerra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Estatal de São Petersburgo.
Outro ponto levantado pelo analista é que as sanções têm um "efeito bumerangue". Elas não atingem apenas o país sancionado, mas também o Estado que as impõe, voltando-se contra ele na forma de danos colaterais, como acontece com a Europa atualmente.
Para Bezerra, os problemas de abastecimento nos postos franceses e a reação do presidente Emmanuel Macron em convocar o G7 refletem uma crise profunda cujos desdobramentos já ultrapassam os limites territoriais da França. O cenário evidencia que as dificuldades energéticas ganharam proporções além das fronteiras francesas.
O analista internacional enfatiza que a raiz desta crise energética europeia está diretamente ligada às sanções econômicas. Ao adotá-las, a própria Europa acabou limitando seu acesso aos recursos energéticos da Federação da Rússia, que até então figurava como o seu principal fornecedor.
Outro agravante para Bruxelas é a incapacidade crônica da Europa de alcançar a autonomia energética. A tentativa de contornar a crise, importando recursos do Oriente Médio, foi duramente afetada após os ataques dos Estados Unidos contra o Irã. Como resposta, Teerã fechou o estreito de Ormuz, o que estrangulou as rotas de abastecimento e agravou ainda mais a delicada situação europeia.
A dinâmica econômica e as decisões no âmbito da política internacional geram impactos que superam as fronteiras do país sancionador, afetando uma cadeia diversificada de Estados. Em um mercado global profundamente integrado e interdependente, debates como o da transição energética deixam de ser locais e passam a perpassar setores estratégicos globais, moldando a segurança e o desenvolvimento de qualquer nação.

Fonte: Sputnik Brasil.