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Ao abrir a entrevista, o presidente foi questionado se havia subestimado a força do adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), no primeiro turno, quando foi derrotado por pouco mais de dois milhões de votos. O presidente, que já havia admitido que esta era a campanha mais desorganizada desde que entrou na política, negou ter subestimado o adversário e disse conhecer a força do bolsonarismo no Brasil.
“O povo está assumindo a responsabilidade da campanha, sobretudo porque quer garantir a continuidade do processo democrático [no Brasil]. Acho que fazia muitos anos que nem eu e nem você víamos a quantidade de manifestações, muitas delas espontâneas, em tantas cidades. Só no final de semana foram quase 1.700 movimentos, desde passeatas até carreatas. Então é uma coisa extremamente importante e que me dá certeza de que vou ganhar as eleições em 25 de outubro”, afirmou Lula.
Lula lembrou ainda que a campanha tem buscado reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro nas regiões Sul e Sudeste, além de ampliar o apoio ao petista em Minas Gerais, estado que considera decisivo para o resultado da disputa. “Se isso acontecer, nós ganharemos as eleições como ganhamos as outras”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de o próximo Congresso fazer uma nova legislação que retome a escala de trabalho 6×1, Lula afirmou que a medida é uma reivindicação antiga e contou com forte apoio popular. “Agora todo mundo vai trabalhar 5 por 2. As pessoas vão ter mais tempo de lazer, as pessoas vão ter mais tempo para cuidar do filho, as pessoas vão ter mais tempo para visitar parentes, para viajar”, afirmou.
Lula voltou a defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir transporte coletivo gratuito nos fins de semana. A ideia, segundo ele, é permitir que os trabalhadores aproveitem os dias de descanso mesmo quando não têm dinheiro para se deslocar. “Não adianta você dar o dia para descansar e não ter dinheiro para sequer visitar um parente”, disse o presidente.
Para financiar a medida, o presidente citou o uso de recursos das emendas parlamentares previstas no orçamento federal, o que, segundo ele, deve provocar divergências com o Congresso. “Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional, mas isso é a parte da democracia”, declarou.
Lula também explicou por que passou a defender a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, apesar da posição historicamente contrária do PT à medida. O presidente afirmou que é possível mudar de opinião quando há convencimento sobre a necessidade de uma alteração.
“Primeiro, eu acho que nós, seres humanos, temos que ter a capacidade de mudar de opinião quando nós estamos convencidos de que é importante“, disse.
Lula argumentou que a discussão já aparecia em propostas do campo político petista desde 2018, quando o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disputou as eleições presidenciais. Além disso, o petista afirmou que sua posição é diferente da defendida por setores da direita, que, segundo ele, queriam reduzir a maioridade penal para 14 anos.
Sobre a política de segurança pública, Lula defendeu a manutenção das chamadas “saidinhas” para presos que atendam aos critérios legais e tenham bom comportamento. Para ele, a possibilidade de visitar familiares faz parte do processo de recuperação, embora condenados por crimes graves não devam receber o benefício.
“O sistema prisional deve ter como objetivo a tentativa de recuperar as pessoas. Ah, mas tem um cidadão que saiu e voltou a cometer um crime. Quantos foram? Você não pode, por causa de dois ou três, punir centenas ou milhares de pessoas”, declarou.
Ao tratar do combate ao crime organizado, Lula afirmou que a responsabilidade pela segurança pública está distribuída entre União, estados e municípios. O presidente brasileiro defendeu a integração das forças policiais e disse que a PEC da Segurança Pública busca estabelecer as atribuições de cada esfera de governo.
“As polícias têm que trabalhar irmanadas, com a mesma informação, banco de dados, para que a gente saiba, todo mundo atrás do mesmo bandido”, declarou. Ele também defendeu a cooperação entre governos federal, estaduais e municipais para combater a violência, especialmente nas comunidades mais pobres.
Lula disse ainda que pretende transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima para impedir que organizações criminosas continuem comandando atividades de dentro das cadeias. Segundo ele, a medida busca interromper a atuação de grupos como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) a partir do sistema prisional.
Na entrevista, Lula afirmou que não considera ter sofrido desgaste político com a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente disse que escolheu o nome com base em critérios profissionais e jurídicos e afirmou que, se for reeleito, pretende manter esse princípio nas próximas indicações.
“Eu indiquei o nome que juridicamente tem toda a competência para ser ministro da Suprema Corte”, declarou. Lula disse ainda que tem outros três nomes para indicar caso permaneça na Presidência da República.
O presidente também defendeu mudanças no processo de escolha dos ministros do Supremo, com participação da sociedade e discussão sobre a adoção de mandatos. Segundo ele, uma alteração desse tipo exigiria uma reforma do Poder Judiciário, cuja condução depende do Congresso Nacional.
Nas considerações finais, Lula voltou a desafiar Flávio Bolsonaro a autorizar a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de seus familiares. O presidente afirmou estar cansado de acusações de corrupção que, segundo ele, não são esclarecidas durante as disputas eleitorais.
Lula acusou Flávio de mentir sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e mencionou uma fotografia em que o senador aparece com o empresário, além de uma viagem em um avião ligado a ele. O presidente afirmou que pretende entregar procurações à Justiça Eleitoral e ao Supremo para permitir a investigação de seus dados e dos familiares.
“Eu quero que você faça o mesmo, da sua família, você, seus irmãos. Vamos deixar investigar para saber aonde é que está a corrupção nesse país”, finalizou.
Fonte: Sputnik Brasil.
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