De acordo com a publicação, Kamel viajou a Israel enquanto autoridades do país se reuniam em Jerusalém para marcar os 50 anos da Guerra do Yom Kippur. Um avião ligado ao serviço de inteligência egípcio pousou no aeroporto Ben Gurion e permaneceu no local por 67 minutos antes de retornar ao Cairo.
Os registros da Autoridade Aeroportuária de Israel e dados independentes de rastreamento de voos, segundo a revista, confirmam a viagem.
Na ocasição, o chefe da inteligência egípcia teria recomendado ainda concessões econômicas ao grupo como forma de evitar uma escalada. A revelação ocorre em meio à negativa do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de que seu governo tenha recebido qualquer alerta, direta ou indiretamente, sobre uma ofensiva do Hamas e a situação em Gaza. Netanyahu está em campanha para as eleições legislativas marcadas para 27 de outubro.
Já em agosto, jornalistas do veículo israelense Haaretz revelaram que premiê também foi avisado semanas antes sobre as movimentações do Hamas pelo pelo presidente dos Emirados Árabes Unidos, sheik Mohamed bin Zayed Al Nahyan.
Os líderes teriam conversado por telefone ao longo de 45 minutos, e o sheik avisou da preparação de uma grande operação contra Israel. Netanyahu, por sua vez, teria afirmado que a ameaça estaria concentrada na Cisjordânia e que Israel poderia enfrentar qualquer cenário, resposta que surpreendeu o próprio sheik.
Ainda de acordo com a apuração, Netanyahu não compartilhou a informação com os organismos de defesa e inteligência israelenses — ou seja, nem o Mossad, nem o chefe do Estado-Maior souberam desse aviso.
Um livro, produzido pelos jornalistas, também reconstruiu negociações secretas entre Israel e Hamas, autorizadas por Netanyahu desde início de 2023, por uma trégua em troca de alívio do bloqueio a Gaza e da libertação de prisioneiros. As tratativas avançaram, mas o primeiro-ministro adiou repetidamente a decisão final, temendo vazamentos ou reação de aliados extremistas na coalizão.
Fonte: Sputnik Brasil.




