Dia Nacional do Livro: entre o hábito de leitura em queda e a força das novas gerações

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Mais de dois séculos depois, a instituição abriga cerca de 10 milhões de itens, consolidando-se como uma das principais guardiãs da memória do país.
A riqueza desse patrimônio histórico, no entanto, contrasta com um desafio persistente no Brasil: o enfraquecimento do hábito de leitura. Dados do Instituto Pró-Livro revelam uma realidade preocupante: 53% da população não leu sequer um livro nos três meses em 2025, índice que vem registrando alta nos últimos anos.
A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, coordenada pelo instituto revelou que o país perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores em um intervalo de quatro anos, fazendo com que o percentual total de leitores caísse de 56% para 47%.
Pela primeira vez na série histórica do levantamento, os não-leitores tornaram-se maioria (53%), sendo que apenas 27% da população declarou ter lido livros inteiros no período de três meses.
Entre os principais obstáculos apontados pelos entrevistados para justificar a falta de leitura estão falta de tempo (46%), a preferência pelo uso da internet (81%), desinteresse por livros (29%) e o fato de as mulheres liderarem o hábito nacional.
No entanto, o cenário entre as prateleiras mostra sinais pontuais de reação, impulsionados sobretudo pelo público jovem. De acordo com a Câmara Brasileira do Livro (CBL), 18% dos adultos brasileiros compraram ao menos um livro em 2025, um avanço em relação aos 16% registrados no período anterior.
Embora continue sendo uma minoria, a alta representa uma adição de 3 milhões de novos compradores em apenas 12 meses.
Para quem cultiva a prática, a leitura vai além da busca por conhecimento: é uma ferramenta de desaceleração e transformação pessoal. Frequentadora da Biblioteca Nacional para pesquisas acadêmicas, a estudante de direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eduarda Albino Servilha, conta que sua trajetória acadêmica foi moldada ainda na infância por meio da literatura.
A busca por um momento de desconexão da rotina digital também atrai visitantes ao prédio histórico na região central do Rio. A produtora de eventos paulista Amanda Soares aproveitou a viagem à cidade para conhecer a Biblioteca Nacional. À Sputnik Brasil, ela defende a importância de trocar as telas pelo papel.
O avanço dos leitores digitais e a popularização dos clubes de leitura indicam novos caminhos para a formação do público no país. Para acompanhar essas transformações, a própria Biblioteca Nacional vem ampliando sua presença virtual, registrando mais de 100 milhões de acessos anuais em seu acervo digitalizado.
Para o presidente da Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, há um movimento conjunto de renovação cultural no país.
Lucchesi reforça ainda o papel social das bibliotecas como instrumento de democratização do saber e de empatia, citando como exemplo o impacto da literatura no sistema prisional.
Para consolidar essa tendência de retomada e expandir o acesso, o novo Plano Nacional do Livro e Leitura, lançado em abril, estabelece diretrizes estratégicas para o setor.
A meta do programa é elevar o percentual de leitores no Brasil para 55% nos próximos dez anos, por meio de iniciativas voltadas à redução do custo final das obras e à universalização do acesso a acervos públicos e comunitários.

Fonte: Sputnik Brasil.

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