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É um fato mundialmente conhecido que nenhum anfíbio moderno na Terra é capaz de viver no oceano de forma permanente. Sua pele porosa, crucial para a troca de gases e água, geralmente não consegue lidar com o sal.
Porém, o geólogo Lipin Diao e seus colegas apresentaram uma nova espécie de anfíbio, o Gerrothorax maritimus, que pode ter possuído essa capacidade incomum.
Seus restos foram encontrados por fazendeiros locais no condado de Guanling, em uma camada de rocha de cerca de 237 milhões de anos, situada bem no meio dos Sítios de Fósseis do Triássico de Guizhou.
Considera-se que o local da descoberta era totalmente submerso pelos mares durante o final do Triássico. Ambos os espécimes foram preservados a mais de 30 quilômetros da terra mais próxima, o que significa que é possível que nunca tenham saído da água.
Diferente de qualquer anfíbio vivo hoje, o corpo com formas retas do Gerrotórax era coberto por placas de uma armadura dura, que se mantiveram bem preservadas nos fósseis. Essa proteção corporal impedia a absorção de água através da pele, obrigando o anfíbio a consumi-la através do trato digestivo, ao contrário da maioria dos anfíbios existentes.
Uma análise posterior dos isótopos de estrôncio em seus ossos ofereceu ainda mais evidências de seu estilo de vida marinha. O estrôncio é um oligoelemento que se acumula facilmente no esqueleto dos animais.
A proporção entre dois isótopos 87Sr e 86Sr varia em terra firme dependendo do tipo da rocha local, enquanto o oceano carrega um valor uniforme em todo o mundo. Os resultados da análise mostraram que o estrôncio nesses ossos combinava com a água do mar do Triássico, e não com rocha em que foram enterrados.
Por isso, os cientistas chineses concluíram que as duas espécies provavelmente cresceram bebendo a água do mar, cujas proporções de estrôncio são refletidas em seus ossos.
Fonte: Sputnik Brasil.
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