Candidato ao Senado em São Paulo pelo Partido da Causa Operária (PCO), o professor Ednelson Cesaretti afirmou que a campanha começou sob ataque com invasão policial, atraso do fundo eleitoral e exclusão sistemática dos debates e sabatinas na grande imprensa.
Cesaretti defende o fim do sistema bicameral e do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o postulante, órgãos cujos integrantes não passam pelo crivo do voto direto funcionam meramente como balcão de negócios para banqueiros e para o grande capital internacional.
"Por não serem eleitos, eles não têm nenhuma pressão popular e são facilmente dobrados pelo grande poder econômico e pelo imperialismo mundial."
Ao analisar os processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, o candidato manteve a linha do PCO e criticou a tese de prisão por tentativa de golpe. No entanto, frisou que razões para prender o ex-mandatário não faltam, especialmente no que diz respeito à condução da saúde pública durante a crise sanitária.
Sobre a polêmica das apostas on-line (bets), o candidato afirmou que a discussão promovida pelo governo não passa de cortina de fumaça. Na avaliação do professor, o verdadeiro ralo por onde escorre a renda do trabalhador brasileiro não são os jogos de azar, mas os juros extorsivos cobrados pelo sistema financeiro tradicional.
"Essa batalha das bets é uma máscara de fumaça. Quem torna as pessoas miseráveis não são as bets, são os grandes bancos com a política de altos juros, onde 42% do Orçamento Federal de 2025 foi direto para o bolso dos banqueiros."
A segurança do processo eleitoral também entrou na mira do candidato, que questiona a narrativa oficial sobre a inviolabilidade da tecnologia empregada na votação. Ele ressaltou que a militância do PCO não encara o sistema como infalível e que a ferramenta está sujeita a intervenções humanas.
Em funcionamento desde 1996, a urna eletrônica brasileira completa 30 anos sem nenhum caso comprovado de fraude, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O sistema não é apresentado como inviolável, mas como auditável: o tribunal afirma que ele passa por cerca de 40 etapas de fiscalização, que envolvem órgãos públicos, partidos, universidades e entidades da sociedade civil. Os códigos-fonte ficam abertos para inspeção um ano antes do pleito, e em 2026 já foram examinados por integrantes do Senado Federal, da Sociedade Brasileira de Computação e da Confederação Nacional do Comércio.
O Teste Público de Segurança, realizado desde 2009 em anos sem eleição, convida especialistas a tentar violar o sistema. Quando uma vulnerabilidade é encontrada, a equipe técnica do TSE a corrige. Na etapa de confirmação, concluída em maio, o Tribunal informou que nenhuma verificação apontou falhas capazes de comprometer o sigilo do voto ou alterar o resultado. No dia da votação, cada urna emite um boletim com a contagem, que pode ser comparado ao total divulgado, e os registros digitais permanecem lacrados e preservados para eventual recontagem.
Parte dos especialistas em segurança defende um registro impresso do voto, verificável de forma independente do software, e o TSE responde que o boletim de urna, a biometria e a lacração já permitem a conferência.
Questionado sobre as críticas à baixa representatividade de mulheres na chapa eleitoral — que registrou 32% no levantamento feito pela reportagem —, Cesaretti rebateu alegando que o PCO prioriza militantes de base em vez de cotas formais. Ele alegou também que na capital paulista a estrutura interna do partido é comandada majoritariamente pelo público feminino.
Nas considerações finais, Cesaretti puxou uma das bandeiras mais inusitadas e controversas da agremiação: a defesa irrestrita do futebol nacional. O candidato orgulhou-se do histórico do partido em sair em defesa de craques brasileiros e relembrou a campanha pública promovida pela legenda para garantir a escalação de Neymar Jr. na seleção.
"Nós somos o partido de esquerda que mais defende o futebol brasileiro. Defendemos até o final, na última Copa, a escalação do maior jogador brasileiro no momento, que é o Neymar, fruto de uma grande pressão popular pelo país afora."
Apesar das ressalvas sobre o resultado que sairá das urnas diante do bloqueio midiático, Cesaretti garantiu que o projeto do PCO não se esgota no dia da votação. O candidato diz que os militantes continuarão nas ruas, nas portas de fábrica e nas escolas de maneira permanente, independentemente do saldo eleitoral.
Fonte: Sputnik Brasil.




