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Nas eleições de 2018 e 2022, a direita bolsonarista teve como uma de suas bandeiras principais a crítica às relações do Brasil com países do Sul Global e iniciativas multilaterais como o BRICS e a própria ONU. Os comentários miravam, sobretudo, as relações com a China, maior parceiro comercial do Brasil, e com países da África, principalmente em relação às embaixadas abertas no continente.
Hoje, embora defenda fortemente um alinhamento automático e irrestrito com a Casa Branca, Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados evitam ataques diretos à China e a outros parceiros do Brasil do Sul Global.
À Sputnik Brasil, o coordenador da graduação em relações internacionais do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (INEST/UFF), Fernando Almeida, lembra que dentre as principais medidas propostas pelo governo Bolsonaro, no campo internacional, o fim do comércio brasileiro com com a China e com a Argentina.
Os hermanos eram então governados pelo peronista Alberto Fernández (2019-2023) e, com a China, a situação chegou a um “absurdo de hostilidade”, diz o pesquisador, com Araújo ecoando as acusações norte-americanas de que o país era responsável pelo que chamou de “pandemia de ‘comunavírus'”.
No entanto, essa postura mudou à medida que o bolsonarismo foi entendendo o funcionamento do sistema internacional.
Ainda assim, as relações do Brasil com países do BRICS e do Mercosul foram “postas de lado em prol de um discurso de alinhamento aos EUA” em um movimento que preocuparam o setor exportador. Diante disso, ficou ao encargo da bancada do agronegócio administrar as ações do governo, o que também deve ocorrer em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Roberto Goulart Menezes, professor titular de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), avalia que na área da política externa Flávio Bolsonaro, caso eleito, tenderá a concentrar as relações do Brasil prioritariamente com os Estados Unidos e com Israel.
“Ele já afirmou que pretende levar adiante a transferência da Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. Isso reafirma os laços com os Estados Unidos e com [Benjamin] Netanyahu, embora tenha eleições em Israel previstas”, afirma.
Por outro lado, em relação a coalizões do Sul Global nas quais o Brasil participa, sobretudo no BRICS onde é um dos fundadores, a pressão sobre Flávio virá principalmente do agronegócio, que quer se equilibrar entre os Estados Unidos e a China.
Em seu governo, Jair Bolsonaro manteve relações com a China “em que ele criticava de dia, e à noite pedia desculpas”, classifica Menezes. Agora, a situação é ainda mais distinta uma vez que nos últimos anos o percentual das exportações do Brasil para a China não só cresceu, como se diversificou.
Para Menezes, o mais provável é que, Flávio Bolsonaro, caso eleito, recorra à estratégia de atacar a China como governo, mas reafirmar que quem mantém as relações com o país asiático são as empresas brasileiras.
Por outro lado, durante o governo de Jair, a China fez um conjunto de movimentações para arrefecer os rompantes sinofóbicos daquela gestão, o que deve ocorrer novamente, diz Renan Holanda Montenegro, professor de relações internacionais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Para o especialista, é improvável que Flávio realize um retrocesso nas relações com a China. Não só o senador obteve uma vitória eleitoral no cinturão da soja no primeiro turno, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), uma das principais apoiadores do presidenciável, já afirmou que o candidato, se eleito, terá de equilibrar a relação entre EUA e China.
No entanto, ele ressalta que a agenda externa é um assunto ausente na campanha de Flávio, uma vez que ele já ficou associado ao tarifaço de Trump, que prejudicou em um primeiro momento o agronegócio.
Essa ausência, entretanto, não significa que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, o Brasil terá uma relação próxima com países da periferia capitalista global, pelo contrário, uma eventual presidência do candidato do PL deve trazer um afastamento do BRICS e do Mercosul.
Fonte: Sputnik Brasil.
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