Eduardo promete 'faxina' de diplomatas no Itamaraty em eventual governo Flávio Bolsonaro

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou, em vídeo publicado na quarta-feira (30), que promoverá uma "faxina" no Itamaraty caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vença a eleição presidencial.
Segundo Eduardo, foram mapeadas mudanças de embaixadores realizadas durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e haverá monitoramento de servidores que, em sua avaliação, teriam atuado para sabotar a gestão de Jair Bolsonaro (2019-2023) — preso e condenado por tentativa de golpe de Estado em regime domiciliar humanitário por questões de saúde.
Na gravação, Eduardo se dirigiu a diplomatas e disse que aqueles que tenham trabalhado contra o antigo governo devem se preocupar com eventuais consequências.
O vídeo é introduzido por um áudio atribuído a um diplomata brasileiro que teria oferecido apoio da Embaixada do Brasil na Espanha para auxiliar a família de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, após sua mudança para Madri em 2025. Eduardo argumentou não ter recebido tratamento semelhante quando se mudou para os Estados Unidos e afirmou que recursos públicos não deveriam ser utilizados para "beneficiar familiares do presidente", embora não tenha apontado evidências de qualquer uso indevido de tais recursos.
Com base nesse episódio, o ex-deputado prometeu retaliação ao embaixador brasileiro na Espanha, afirmando que, em um eventual governo de seu irmão, o ocupante do posto estaria entre os primeiros a ser substituído. À época do áudio, a embaixada era chefiada por Orlando Ribeiro, atualmente, o cargo é ocupado pelo ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo.
Segundo a mídia brasileira, nos bastidores, aliados avaliam que, em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, Eduardo sairia fortalecido politicamente após sua articulação por medidas do governo de Donald Trump contra a administração Lula, entre ela o tarifaço, que muito embora tenha sido negado por ele posteriormente, foi celebrado por aliados e pelo clã Bolsonaro após visita de Eduardo à Casa Branca junto de articuladores políticos associados ao movimento MAGA de Trump.
Ao justificar a proposta de reforma, Eduardo voltou a acusar diplomatas de terem sabotado o governo Bolsonaro e citou reportagens sobre uma suposta rede informal de servidores que teria atuado para conter diretrizes da política externa da época.
Ainda de acordo com a apuração, seu aliado Marcos Degaut defende uma ampla reestruturação inspirada nas mudanças promovidas por Marco Rubio no Departamento de Estado dos EUA, com foco em metas de desempenho, especialização regional e temática, revisão do sistema de promoções e eventual participação de profissionais externos ao Itamaraty. Mas, apesar disso, Degaut afirma que não haveria perseguição política nem "caça às bruxas" dentro da carreira diplomática, um evidente contrassenso.

Fonte: Sputnik Brasil.

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