Sinal amarelo

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Muito freqüente entre os recém-nascidos, a icterícia atinge aproximadamente dois terços dos bebês saudáveis e, nos índices dos prematuros, esse número é ainda maior. Os sintomas começam a manifestar-se no segundo ou terceiro dia de vida, e é nesse momento que a mamãe deve ficar atenta quanto à freqüência. Como característica, a icterícia é transitória e faz com que os índices de bilirrubina (pigmento do sangue) se mantenham baixos no organismo. Chamada de icterícia fisiológica, essa é a forma mais simples e não apresenta riscos nem conseqüências graves ao seu bebê. Assim, na maioria dos casos, não é necessário realizar nenhum tratamento mais incisivo.
É possível acompanhar a evolução da icterícia observando as regiões do corpinho do nenê e a intensidade a partir do amarelamento da pele: cabeça, tronco e membros, inclusive palma das mãos e planta dos pés. "Essa coloração se deve à presença de bilirrubina proveniente da degradação da hemoglobina que se encontra dentro das hemáceas, os glóbulos vermelhos”, explica o médico ginecologista e obstetra dr. Jorge Naufal, do Hospital Neomater.
Quando o bebê ainda está na barriga da mãe, ele recebe o oxigênio através de hemáceas e produz um grande estoque desses glóbulos. Ao nascer, contudo, passa a respirar diretamente pelo pulmão e, dessa maneira, não precisa mais destruir os glóbulos vermelhos. O pigmento liberado depois dessa quebra é a bilirrubina, que é metabolizada pelo fígado e, posteriormente, pelo duodeno. O fato é que, nos recém-nascidos, o fígado ainda se encontra imaturo e não consegue arcar com essa grande quantidade. Com o excesso de bilirrubina no corpo, a sua tonalidade amarela se manifesta na pele.
Porém, a icterícia pode apresentar quadros graves. "Em determinadas circunstâncias – como nos casos de incompatibilidade sangüínea, pelo fator Rh ou ABO, sofrimento fetal enzimopatias, infecções e outras patologias -, os níveis de bilirrubina podem se elevar a valores perigosos, com riscos para o recém nascido”, alerta o dr. Naufal.
 Quando a icterícia atinge um estágio crítico, as seqüelas podem ser irreversíveis, uma vez que ela já deve estar invadindo a barreira entre o sangue e o cérebro da criança, penetrando no sistema nervoso central. Nesses casos, há riscos de surdez e retardo mental podendo levar ao óbito.

Alerta geral

Mas como saber quando se trata de uma reação natural do organismo condizente à normalidade ou se representa uma doença que acarreta sérios riscos? Essa é uma pergunta difícil de responder. É necessário ativar o bom senso e ressaltar o sexto sentido materno, já que é imprescindível obter o diagnóstico diferencial entre os dois tipos de icterícia, pois, se for causada devido a outros fatores, é preciso tratá-los primeiramente. Assim, a melhor dica, ao perceber que seu filho está com a pele amarelada por todo o corpo, é não hesitar em procurar o pediatra para uma avaliação completa. Fique alerta quanto às falsas icterícias, provocadas pela luz ambiente, ou por carotenemia, provocada pela excessiva ingestão de cenouras.
Verifique se a amamentação está ocorrendo com a freqüência necessária e, principalmente, se o intestino do bebê está normal já que o excesso de bilirrubina é liberado pelas fezes. Assim, se o pediatra julgar necessário, possivelmente recomendará a fototerapia, um tratamento à base de luz fluorescente. "É indicado em muitos casos, dependendo dos valores obtidos por exames de laboratórios”, revela o dr. Naufal.
Para ter certeza que a bilirrubina atingiu altos níveis, basta realizar um teste de sangue para medir o índice deste pigmento e descobrir o tipo em questão: livre ou conjugada. Se a taxa exceder 20-25 mg por decilitro, é preciso correr. Nesses níveis, o sistema nervoso central já está exposto.
Se a causa da icterícia for doença hemolítica, o procedimento habitual é realizar uma transfusão de sangue para substituir por outro compatível. Sem muitas complicações, a troca de sangue pode resolver o problema ao renovar as hemácias espontaneamente.
Vale lembrar que a incompatibilidade sanguínea do recém-nascido não quer dizer, necessariamente, que ele apresentará icterícia em seu quadro mais grave. Apenas 20% dos bebês têm incompatibilidade com a mãe, e um índice bem menor desenvolve tais problemas.
Outra dificuldade é quando a mamãe não se cuidou nem realizou as visitas de pré-natal. Assim, diante de algumas doenças – como a sífilis, a AIDS, o herpes, a rubéola e a hepatite -, o bebê, ao ser infectado, sofre os prejuízos desses males, o que prejudica o desenvolvimento intra-uterino, gerando uma série de complicações com os glóbulos vermelhos.
Há casos mais raros, como o entupimento das vias biliares, impedindo o escoamento dessa substância ao fígado. Chamada de atresia, a doença impede a comunicação ao intestino não apenas da bulirrubina, mas também de outras substâncias nocivas ao organismo que devem ser eliminadas, levando a uma espécie de cirrose biliar. Ainda mais raro, outro caso ocorre quando o bebê apresenta deficiência de enzimas, inibindo a liberação do pigmento.

A origem da palavra icterícia é grega. Deriva de ikteros, que é o nome de um pássaro de plumagem bastante amarela

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