Quando a hérnia não é congênita, pode escrever: um esforço fisico excessivo, seja carregando peso, seja exagerando na malhação, tem grande parcela de culpa. Uma vez que o músculo se rompe ou se alarga, não há volta. E aí, cada vez que a vítima faz força, como ao tossir, espirrar ou se levantar da cama, sente uma fisgada perto da virilha. Para algumas pessoas o desconforto surge só de ficar em pé. Antigamente resolvia-se o caso simplesmente costurando os músculos, mas o risco de recaída era grande. Como se trata de um tecido que já está fragilizado, pode se romper de novo com facilidade. "Não adianta amarrar gelatina", brinca o gastrenterologista Carlos Davi Nascimento, do Hospital São Luiz, em São Paulo. Assim, fica fácil entender por que a antiga técnica deu lugar a outra, que utiliza uma prótese uma espécie de tela para recobrir a área aberta.
A cirurgia é simples - e é bom que seja assim, pois não há outro tratamento. "Quanto mais o tempo passa, maior a chance de complicação", alerta o cirurgião Sérgio Szachnowicz, do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva. Em casos graves, o intestino pode ficar preso, interrompendo o fluxo sangüíneo. É a chamada hérnia estrangulada, complicação que pode ser fatal. "Se você não se decidir pela cirurgia, é a hérnia que vai tomar a decisão por você", avisa Paulo Carvalho, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
A estrutura tubular é gigantesca: são 15 metros de comprimento e 2,5 metros de diâmetro. Nada menos que 650 quilos de madeira e borracha formam um cenário impressionante que representa, nos mínimos detalhes, a engenhosa anatomia do interior do intestino, órgão que, junto com o estômago, se encarrega da digestão dos alimentos. A iniciativa é da Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci), que escolheu São Paulo para inaugurar sua exposição itinerante. Sim, ela deverá percorrer outras cidades (para saber o roteiro, ligue para (11 3887-1757). A finalidade é abrir os olhos da população sobre o câncer de intestino - o terceiro maior responsável pelas mortes provocadas por tumores no Brasil.
Esse tipo tem predileção pela última porção do órgão, também conhecida como intestino grosso. O problema é que os indícios iniciais da doença costumam ser confundidos com males menos graves. A anemia, por exemplo, é um deles. Outros, também prosaicos, são fraqueza e náusea. Juntem-se a eles prisão de ventre, diarréia, gases e cólicas e pronto: acende-se o sinal de alerta. "Os sintomas variam conforme a localização do câncer", explica o oncologista Óren Smaletz, do Hospitallsraelita Albert Einstein, em São Paulo. "Se o tumor aparece no reto, a porção por onde saem as fezes pode deflagrar sangramentos", diz. Mas eles nem sempre aparecem.
A encrenca fica ainda maior quando a doença dá as caras em outras regiões do intestino. É que, nesses casos, ela age na surdina. Para flagrá-la, só mesmo exames específicos. "A colonoscopia é praticamente o único método que permite um diagnóstico preciso", afirma o cirurgião oncologista Samuel Aguiar Júnior, do Hospital do Câncer, na capital paulista. O exame consiste na introdução pelo o ânus de um tubo com uma câmera de vídeo. O aparelho vasculha todo o órgão em busca de lesões suspeitas. "O câncer de intestino, que é mais freqüente depois dos 50 anos, pode ser causado por fatores genéticos ou por uma alimentação rica em gordura de origem animal", avisa a coloproctologista Angelita Habr-Gama. Atual presidente da Abrapreci, a médica é reconhecida por levantar a bandeira da prevenção desse tipo de tumor há muito tempo. "Fumo, vida sedentária e obesidade aumentam os riscos de ocorrência", ela ensina.




