Mistérios da Santa Ceia

Palestina, ano 33. uma noite de primavera do dia 14 do mês nisan do calendário hebraico (que corresponde ao nosso abril), Jesus Cristo reuniu seus mais fiéis companheiros para comemorar a Páscoa. Durante a ceia, sereno, prevíu que seria traído por um dos companheiros, para choque de todos.

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Jesus associou também o pão e o vinho a seu sacrifício – gesto que, mais tarcle, inspirou a eucaristia, um cios sete sacramentos da igreja católica. "Isto é meu corpo, tomai e comei. Este é o Cálice de meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança", foram suas palavras.

Além do que relatam os quatro evangelhos, dois deles escritos por apóstolos, existem poucos dados históricos ou vestígios arqueológicos sobre os fatos relacionados à vida de Cristo. "Tudo o que se sabe é baseado na tradição transmitida ao longo dos séculos", explica o padre Pedro Paulo Alves dos Santos, professor cle teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), especializado no estudo do Novo Testamento. Saiba mais sobre esse encontro sagrado por meio de uma das obras de arte mais famosas do Renascimento, o afresco pintado por Leonardo da Vinci no século 15.  
 
O lugar
A Santa Ceia teria acontecido na casa da mãe de João Marcos (discípulo que escreveu um dos Evangelhos), no alto do monte Sion, em Jerusalém. Chamado de Cenáculo, o local pode ser visitado ainda hoje. Ali coexistem uma capela cristã gótica do século 14, um altar muçulmano (remanescente do domínio árabe) e a tumba do rei Davi, lugar de veneração da religião judaica.

O cálice sagrado
A taça supostamente usada por Jesus para beber vinho durante a ceia deu ori-gem à lenda do Santo Graal, que na Idade Média tornou-se fonte de inspiração de histórias e sagas de cavalaria. A mais famosa é a dos Cavaleiros da Távola Re-donda, da Inglaterra, que se espalharam pelo mundo em busca dessa relíquia sagrada depois da morte do rei Artur.

A comida

Jesus e seus companheiros seguiram a tradição da Páscoa judaica, a Pessah, e provaram cordeiro assado, pães ázimos [feitos sem fermento, remetendo à fuga do Egito, quando não houve tempo para a massa fermentar), ervas amargas (símbolo do sofrimento dos hebreus) e vinho tinto. Segundo os historiadores, dificilmente teriam feito a refeição numa mesa, mas sentados no chão com as pernas cruzadas, ou deitados de lado em almofadas, de acordo com o costume oriental. Os pratos estariam dispostos sobre um tapete.

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