segunda-feira, 25 de maio de 2026 16:58:36

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Geração Canguru – Em tempos de liberdade total, não faz mais sentido ter que se mudar…

Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais…” A música cantada por Elis Regina, que revela as incertezas e a luta da juventude dos anos 70 por independência na sociedade, não lembra em nada a geração do século atual. Hoje, os jovens não vivem como os pais, vivem com os pais. Apelidados de adultolescentes, ou geração canguru, eles engrossam as estatísticas de um fenômeno mundial: filhos adultos que adiam, ao máximo, a saída do lar doce lar.
Em tempos de liberdade total, não faz mais sentido ter que se mudar para conquistar espaço e privacidade. O que parecia estranhíssimo há 30 anos – marmanjos com mais de 25 anos na barra da saia da mãe – hoje é culturalmente aceito. Numa boa. O novo arranjo passou a vigorar de forma natural a partir do momento em que os sonhos, os objetivos e as bandeiras de independência tradicionais dos jovens – autonomia financeira, casa própria, casamento, filhos – deixaram de ter o mesmo peso de antes. A idade média do primeiro casamento atualmente é de 26 anos, quatro anos mais do que na década de 70, e a maternidade foi adiada em cerca de dez anos.
Uma pesquisa realizada pelo canal de televisão MTV com 2425 jovens até 30 anos mostrou que a maioria mora com a família e que 82% têm pouca ou nenhuma vontade de sair de casa, mesmo a longo prazo. Desses, 88% disseram manter um bom ou ótimo relacionamento com a mãe e 69% um bom ou ótimo relacionamento com o pai; 68% afirmaram ter liberdade na medida certa; e 14% confessaram que têm até mais liberdade do que deveriam.Diferentemente dos hippies e anarquistas da década de 60, os jovens de 20 e tantos anos não querem – e não têm por que – se rebelar. Não existe mais um confronto escancarado de gerações. “Eles vêem os pais como aliados no que diz respeito à conquista de seus objetivos e, não raro, como amigos”, diz o especialista membro da Escola Brasileira e da Escola Européia de Psicanálise.Pós, mestrado, MBA… – Os especialistas consideram esse período de entressafra, entre a fase de dependência familiar e a da emancipação, um prolongamento da adolescência. Os fatores para justificar o boom dos adultolescentes vão desde a escalada da violência, que gera pais superprotetores, empenhados em manter os filhotes debaixo de suas asas, até fatores sociais, como a recessão econômica e a disputa por um lugar ao sol num mercado de trabalho cada vez mais competitivo.
Em geral, as chances de conseguir um bom cargo e um salário polpudo, para manter um padrão igual ou melhor do que o atual na casa dos pais, são proporcionais ao número de diplomas que o aspirante possui. A conclusão do curso universitário já não é suficiente. De olho no sucesso profissional, o jovem faz pós-graduação, mestrado, MBA, doutorado. Contar com a retaguarda dos pais nesses casos é inevitável, pois há interesse de ambos os lados. Cordão umbilical – Se por um lado a sociedade acolheu bem a geração canguru, é preciso saber onde termina a linha tênue que separa os jovens adultos promissores daqueles que sofrem a síndrome de Peter Pan, ou seja, que têm medo de crescer, pois não se sentem preparados para encarar a vida.
O corte do cordão umbilical, que antes era feito de forma brusca, com a saída de casa, agora ocorre de maneira progressiva. “A situação é preocupante a partir do momento em que alguém que já passou dos 30 e mora com os pais tem dificuldade para planejar e executar projetos pessoais e começa a sabotar a vida afetiva e profissional”, comenta o especialista. “No entanto, filhoS cangurus que estão investindo no futuro acumulam conquistas, estabelecem metas e, cedo ou tarde, acabam deixando a casa dos pais.Os pais têm uma grande parcela de responsabilidade no processo de amadurecimento desses filhos. “Cabe a eles delegar um número cada vez maior de tarefas e funções autônomas, inclusive convocando-os a arcar com algumas despesas, para que eles se sintam independentes mesmo morando com a família”, afirma o especialista. Não existe nenhuma comprovação de que filhos cangurus sejam mais ou menos bem-sucedidos do que os que colocam o pé na estrada cedo. O termômetro está em suas atitudes e de que forma isso repercutirá a longo prazo.

Esse texto é apenas para fins informativos. Para orientação ou diagnóstico médico, consulte um profissional.

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