De um lado as mulheres perderam a garra. De outro os homens sentem dificuldade para armar as jogadas. Num país reconhecido mundo afora por seu sex appeal exacerbado, os números divulgados recentemente pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash) causam arrepios nada animadores: 55,5% dos homens convivem com problemas de ereção e a libido de 58,3% das mulheres vem sofrendo queda livre.
A justificativa mais simples é a de que a rotina, o estresse e o aperto econômico estariam agindo negativamente na vida sexual das pessoas. Na opinião dos especialistas, esses ingredientes da vida modema exercem, sim, influência, mas - é bom frisar - passageira. No fundo, no fundo, a maioria dos problemas sexuais passa longe da cabeça - é na verdade resultado de disfunções físicas. Doenças como hipertensão, diabete e arteriosclerose estariam por trás de uma vida sem tanta emoção e, se não forem flagradas e tratadas - além dos riscos óbvios para a saúde -, acabariam, aí sim, afetando a auto-estima e, claro, o próprio relacionamento. "As dificuldades de ereção são, em 95% dos casos, de origem orgânica", confirma Paulo Rodrigues, chefe de neurourologia do hospital Beneficencia Portuguesa, de São Paulo, citando estudo realizado pela instituição.
Mesmo para as mulheres, que raramente dissociam o sexo de questões afetivas, a diminuição do desejo sexual nem sempre é um reflexo psicológico. "Muitas vezes trata-se de um sintoma de um problema no organismo", afirma a ginecologista Lucia Kharmandayan, de São Paulo. Por essas e outras, é importante dar ouvidos a apatia na cama.
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