Há alguns anos os bebês eram considerados seres primitivos, um "vir a ser". Graças aos avanços tecnológicos e à observação da vida desde tão cedo, podemos atualmente desconsiderar o modelo cartesiano que nos orientou por tantos séculos e, enfim, observar corpo e mente em uma unidade integrada. O neurologista Antonio Damásio, professor da Universidade de lowa e um dos mais importantes pesquisadores de neurociências, propõe, por meio de um jogo de palavras, um novo modelo de pensamento. Substitui a famosa frase de Descartes "Penso, logo existo" por "Sinto, existo, logo penso".
Trata-se de uma revolução que tem reflexos no âmbito da filosofia e da ciência e atinge educadores, psicólogos e pais. Sob esse novo olhar, o bebê deixa a condição de "ser passivo", de "folha em branco" a ser preenchida, e sua participação no processo de desenvolvimento passa a ser considerada. A criança "registra" o que acontece a seu redor e em seu interior, por meio de sensações, emoções e gestos. Antes de ter condição de pensar o mundo, ela o sente. Utiliza-se para isso do sistema límbico, responsável pelas emoções, pela memória e por funções vitais como respiração, digestão e circulação.
Recorre também ao seu sistema sensorial para, gradualmente, apropriar-se de si, dos próprios movimentos e do mundo que a rodeia.
Hoje, é possível afirmar que, desde muito cedo, o bebê pode perceber o ambiente, ainda que de forma primitiva. Se a criança está em situação hostil, de extremo desconforto, seu organismo produz hormônios relacionados ao stress, que possibilitam a percepção da situação adversa. Esse mal-estar, sentido de forma global, será comunicado por expressões físicas como choro, contorções do corpo e caretas.




