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Em entrevista à Sputnik Brasil, Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, explica que os movimentos separatistas com postura crítica ao governo central de Ottawa não são recentes, mas históricos.
A analista internacional relembra que, durante o governo de Justin Trudeau, a relação com os movimentos separatistas e autonomistas foi conduzida de forma equilibrada. No entanto, após o acentuado declínio de popularidade que culminou em sua renúncia, essas correntes ganharam nova força.
Holzhacker reforça que a província de Quebec, que integra a parte francesa do país, não se sente representada no Parlamento de Ottawa. Com isso, o desejo por mais autonomia cresce entre a população local, que busca defender sua identidade cultural e política.
Já Alberta, que integra a porção anglófona, é uma região rica em petróleo e busca maior integração com os Estados Unidos. Segundo a pesquisadora, o objetivo local vai além da autonomia, focando na independência, impulsionada pelo referendo marcado para este mês.
Outro ponto levantado por Denilde Holzhacker é que o crescimento e fortalecimento desses movimentos internos na política canadense refletem o enfraquecimento do Partido Liberal, do primeiro-ministro Mark Carney, que agora precisa superar profundos obstáculos para tentar manter a unidade nacional.
Historicamente moldado pelo bilinguismo e por clivagens culturais entre francófonos e anglófonos, o Canadá enfrenta hoje uma grave crise de coesão interna. Enquanto Quebec revive o nacionalismo identitário, a dependência econômica de Alberta estimula o desejo de maior integração com os EUA. Esse duplo movimento fragmenta o país e desafia diretamente a autoridade de Ottawa.
Fonte: Sputnik Brasil.
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